Nos EUA, esforços contra imigração se concentram em gangues

Operação ganha força depois de agente ter sido assassinado por imigrante salvadorenho, membro de uma gangue

The New York Times |

Quando Walter Alberto Torres, um imigrante salvadorenho e membro de uma gangue, confessou em outubro de 2009 que teve sucesso em planejar o assassinato de um agente de imigração em Nova York, a admissão provocou mais do que apenas um processo.

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James Hayer Jr., o agente especial encarregado da divisão de investigações
Nas semanas seguintes, as autoridades de imigração, trabalhando com outras agências legais, realizaram buscas em supostos esconderijos da gangue de Torres, a La Mara Salvatrucha 13, uma rede internacional de grupos violentos com uma presença crescente na cidade de Nova York e seus subúrbios.

E essa ofensiva – que destina-se, em parte, disseram os oficiais, a sinalizar que o governo não vai tolerar ataques contra seus oficiais – foi apenas o começo para a Agência de Imigração e Alfândega de Nova York. Nos meses seguintes, os agentes da divisão de investigação da agência expandiram sua rede de ação para além da La Mara Salvatrucha e em toda a região, do Condado de Ulster no Vale do Hudson à parte leste de Long Island.

De outubro 2009 até setembro deste ano eles prenderam 285 suspeitos membros de gangues ou colaboradores mais próximos – um recorde para a agência e um aumento de cinco vezes em relação ao mesmo período do ano anterior.

Agente

O aumento, que tem acontecido com pouco aviso público, começou com a chegada de James T. Hayes Jr., que se tornou o agente especial encarregado da divisão de investigações semanas antes de Torres confessar o assassinato.

Hayes, 37 anos, disse que ainda que a ameaça a um agente tenha impulsionado sua equipe, as prisões também refletem uma nova ênfase na unidade de investigação, que garante mais de 400 leis federais de imigração. Quando assumiu o cargo, ele revisou os movimentos recentes da agência contra gangues – que haviam resultado em 57 prisões no ano anterior – e concluiu que sua equipe poderia estar fazendo muito mais.

Ele acrescentou três agentes a uma força que agora conta com 11 pessoas e “lhes concedeu mandato não apenas para investigar membros de gangues, mas para olhar para estas gangues de rua como organizações criminosas e usar todas as ferramentas a sua disposição para desmantelá-las", Hayes disse em uma entrevista.

Armas e drogas

Os oficiais de imigração da cidade dizem que a grande maioria, cerca de 74%, das prisões de gangues no ano passado foram por crimes federais e estaduais, como posse ilegal de armas, conspiração para assassinato e tráfico de drogas. O restante foi por razões relacionadas com a imigração e que muitas vezes resultaram em deportações, disseram.

O esforço prendeu uma vasta gama de gangues. A MS-13 tem estado sob forte pressão, com 92 das prisões no ano, disseram as autoridades.

O grupo foi fundado por imigrantes salvadorenhos em Los Angeles nos anos 1980 e, desde então, se espalhou em toda América do Norte e Central. Na região de Nova York, as maiores concentrações de grupos MS-13 são encontradas em Long Island e Queens, disseram as autoridades.

Agentes de imigração também têm procurado membros da Latin Kings, uma gangue dominada por imigrantes latinos com representações em todo o país e uma forte presença na área de Nova York; da Los Niños Malos, uma gangue mexicana predominantemente enraizada em Sunset Park, Brooklyn. Quatro outras quadrilhas fortemente mexicanas, La Raza, Surenos 13, 18th Street e Los Vagos, duas gangues Dominicanas, Los Trinitários e Dominicans Don't Play, e o Wen Zhounese Boys, um grupo chinês que se especializou em assaltos a residências, disseram as autoridades.

Hayes advertiu que ainda é cedo demais para medir o impacto da campanha sobre a criminalidade de rua, mas ele prometeu manter a pressão. "Isso é apenas um começo", disse ele.

*Por Kirk Semple

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