Nos EUA, criminalidade em baixa reflete declínio na imigração ilegal

Em reunião no Arizona, autoridades locais e federais notam redução em crimes, mas alertam para contínuos desafios na fronteira

The New York Times |

O declínio no número de imigrantes que atravessaram a fronteira do México para os Estados Unidos nos últimos anos tem tido impacto notável no Arizona e em outros Estados de fronteira, nos quais a polícia  afirma estar notando quedana taxa de crimes relacionados à imigração ilegal.

No Arizona, os agentes federais notaram uma queda no número de esconderijos onde os contrabandistas param ao atravessar a fronteira. Os chefes da polícia das cidades do Estado dizem que as taxas de criminalidade de suas respectivas cidades estão baixas e devem cair ainda mais, assim como os números e os custos relacionados aos imigrantes ilegais que vão parar em suas prisões.

Saiba mais: Veja o especial do iG sobre a imigração nos Estados Unidos

NYT
Visitante visita exposição sobre segurança na fronteira em Phoenix, no Arizona (06/03)

As autoridades federais se reuniram com os Departamentos de Polícia Estaduais e locais nos dias 6 e 7 de março na Exposição de Segurança da Fronteira no salão de convenções de Phoenix.

Eles concordaram amplamente que o declínio no número de imigrantes que atravessam a fronteira ilegalmente - de um pico de 1,1 milhão em 2005 para cerca de 340 mil imigrantes em 2011 - aliviou o trabalho da polícia, mas também trouxe mudanças preocupantes quanto ao tipo de crimes que eles precisam enfrentar.

O encontro entre oficiais estaduais e federais começou com um discurso de abertura feito pela governadora do Arizona, Jan Brewer , que chamou as medidas federais para o assunto de um "ultraje". Brewer, uma republicana, está liderando a luta legal do Estado do Arizona contra o governo de Obama para passar uma lei Estadual que daria à polícia novos poderes para prender qualquer pessoa suspeita de ser imigrante ilegal.

"Não é possível esconder a verdade por muito tempo”, disse ela. "Durante anos, Washington ficou de braços cruzados, deixando nossas fronteiras se tornarem cada vez mais problemáticas e perigosas.”

Em réplica, Jayson P. Ahern, um ex-oficial de alto escalão na Agência de Proteção de Fronteiras e Alfândega, descreveu o ponto de vista de Brewer como "uma opinião muito pessoal". Ao descrever a opinião de vários governantes que falaram de uma maneira menos pública por estarem ainda exercendo cargos federais, Ahern disse que a segurança na fronteira havia sido submetida a "melhorias notáveis".

Ele citou a ampliação da Patrulha da Fronteira para mais de 21 mil agentes, o número mais elevado de sua história, e o uso de uma matriz de novas tecnologias, incluindo sistemas de vídeo de vigilância remota e sete aviões não tripulados.

Matthew C. Allen, o agente especial encarregado das investigações para o Departamento de Imigração do Estado, disse que 51 esconderijos de imigrantes contrabandistas foram invadidos em Phoenix no ano passado, em comparação aos 186 em 2008. Cerca de 800 imigrantes ilegais foram presos em 2011, em comparação aos 3,2 mil em 2008, disse Allen.

O chefe de polícia de Mesa, que fica ao leste de Phoenix, disse que a taxa de criminalidade atual é a mais baixa desde 1960. O chefe, Frank Milstead, disse que apenas cerca de 2% dos 17,9 mil presos na cidade de Mesa no ano passado eram suspeitas de ilegalidade em sua permanência no país. "O impacto operacional em nossas prisões", disse ele, "é mínimo".

Jeffrey Scott Kirkham, o chefe de polícia de Nogales, o porto mais movimentado de entrada legal no Arizona, disse que sua taxa de criminalidade era muito baixa, com apenas dois homicídios nos últimos sete anos.

Mas houve um caso que chocou Kirkham, um estudante do ensino médio foi encontrado recentemente com quase dois quilos de heroína, no valor de cerca de US$ 80 mil dentro de sua mochila.

Os investigadores federais também relataram um "aumento alarmante" nos ataques realizados por imigrantes contra agentes de fronteira, de acordo com James Turgal, agente especial do FBI encarregado do Estado do Arizona. Em 2011, a agência abriu investigações sobre quase 500 ataques a oficiais federais realizados ao longo da fronteira do Arizona, desde pedras sendo atiradas até tiroteios. Isso representou um número quase quatro vezes maior do que os 117 ataques de 2008, disse ele.

Autoridades federais disseram estar confiantes de que o progresso continuará, uma vez que lidar com menos imigrantes ilegais significa que eles podem dedicar mais agentes e equipamento de vigilância para combater o tráfico de drogas.

Mas até mesmo os otimistas pediram cautela. "O principal atrativo da nossa fronteira com o México é o emprego", disse Allen. "Acho que sabemos que o verdadeiro teste para nós vai ser quando a economia melhorar de uma maneira muito mais significativa."

Por Julia Preston

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