Nos EUA, bagagem despachada pode ser nicho para o crime

'Caso JFK', no qual funcionários de companhias aéreas roubavam e contrabandeavam, expõe falta de segurança nos aeroportos

The New York Times |

Quando investigadores federais americanos anunciaram ter desmantelado um cartel de tráfico de cocaína, o chefe do crime não era membro de uma gangue mexicana ou da máfia.

O líder era Victor Bourne, um funcionário de salário baixo responsável por manipular a bagagem dos passageiros da companhia American Airlines no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York. Seus parceiros na empreitada eram funcionários de outra companhia aérea.

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Imagem aérea mostra o Aeroporto Internacional John F. Kennedy, no Queens, em Nova York

O julgamento de Bourne na Corte Distrital dos Estados Unidos, no Brooklyn, aconteceu em setembro e outubro e revelou uma cultura de corrupção entre alguns funcionários de companhias aéreas no aeroporto John F. Kennedy.

Eles escondem drogas em painéis secretos dentro dos aviões, roubam laptops, lagostas e roupas finas transportadas pelas companhias e vasculham os pertences dos passageiros em busca de bebidas alcoólicas, perfumes e eletrônicos.

"A frase ‘Todo mundo faz isso' foi usada por muitas testemunhas", lembrou Rebecca Grefski, jurada no julgamento de Bourne, um caso em que 12 funcionários da American Airlines se declararam culpados e foram condenados. "Todos os funcionários faziam isso."

Em 2009, último ano para o qual há dados completos, a Administração de Segurança dos Transportes recebeu cerca de 6.750 relatos de roubos em bagagem despachada. Entre 2002 a 2010 a American Airlines registrou mais relatos de roubo do que qualquer outra companhia aérea.

Em comunicado, a American ressaltou sua cooperação com a agência de imigração e alfândega para ajudar a melhorar os procedimentos no aeroporto John F. Kennedy.

No entanto, o julgamento federal no Brooklyn sugeriu que um sério problema parecia existir na companhia. Bourne, natural de Barbados, comprava cocaína a granel e tinha acordos com carregadores de bagagem em Barbados para esconder o produto em aviões a caminho de Nova York, segundo vários funcionários da American Airlines. Segundo promotores, ele então vendia a cocaína contrabandeada, lucrando vários milhões de dólares.

Bourne, que está sob custódia, foi considerado culpado de importação e distribuição ilegal de narcóticos, bem como de conspirar para fazê-lo. Ele também foi condenado por crimes envolvendo transações financeiras e enfrenta uma pena máxima de prisão perpétua. As testemunhas que cooperaram enfrentam penas mínimas de 10 anos de prisão, a menos que a promotoria recomende clemência.

"Acho que todo mundo naquele tribunal foi surpreendido com o tempo que durou essa operação e como ela é de conhecimento de todos", disse Grefski sobre a atividade criminal.

Por Mosi Secret

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