Nos EUA, agricultores têm dificuldade para contratar americanos

Apesar da crise econômica e do desemprego, fazendeiros não conseguem substituir trabalhadores estrangeiros

The New York Times |

Como pode haver uma escassez de trabalho quando um em cada 11 moradores está desempregado nos Estados Unidos?

Essa foi a pergunta que John Harold fez a si mesmo no inverno passado, quando tentou descobrir com quantos trabalhadores poderia contar para colher o milho e as cebolas em sua fazenda de mil acres localizada em Olathe, no oeste do Colorado.

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John Harold observa sua plantação de cebolas em Olathe, no Estado americano do Colorado

O plano simples que ele decidiu adotar – contratar mais americanos e menos trabalhadores estrangeiros – deixou Harold e outros que optaram pelo mesmo caminho em um dilema: quanto mais eles tentavam fazer algo de concreto para lidar com o problema da imigração e do desemprego, pior eles ficavam.

Harold, 71, participa há cerca de uma década de um programa federal conhecido como H-2A, que permite a contratação de trabalhadores estrangeiros sazonais no país para compensar a falta de mão de obra americana. Ele geralmente contrata 90 pessoas do México todos os anos, de julho a outubro.

Este ano, porém, com a persistência dos tempos difíceis e o aumento no pagamento mínimo previsto no programa para quase US$ 10,50 a hora, Harold trouxe apenas dois terços de seu contingente habitual.

As outras posições, pensou, iriam para os desempregados locais em busca de dinheiro extra no verão.

Seis horas foram suficiente para a primeira onda de trabalhadores locais desistir do emprego. Alguns simplesmente nunca voltaram e não deram nenhuma explicação. Vinte e cinco deles disseram, de acordo com registros da fazenda, que o trabalho era muito difícil.

A incompatibilidade entre as exigências dos empregadores e as habilidades e necessidades dos desempregados tem sido um tema de debate constante nessa época de recessão. Mas na fazenda, a incompatibilidade pode significar problemas.

Na tentativa de evitar o deslocamento de cidadãos americanos de possíveis vagas de trabalho, o programa H-2A encoraja os agricultores a contratar localmente se puderem, com a exigência de que eles anunciem em pelo menos três Estados.

Isso faz com que os participantes corram riscos enormes ao formar sua força de trabalho, muitas vezes colocando em jogo a receita de toda uma temporada.

A escassez de americanos dispostos a trabalhar nas plantações e campos requer algum tipo de reflexão, pelo menos do programa H-2A. Segundo economistas e historiadores, quem encontra vida melhor fora da fazenda, raramente retorna.

Por Kirk Johnson

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