Nos bastidores, Obama avalia como manter agenda se perder maioria

Antes que Obama e republicanos possam garantir a cooperação mútua, eles devem encontrar maneira de ter confiança mútua

The New York Times |

O presidente americano, Barack Obama, levou 18 meses para convidar o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, à Casa Branca para um um bate-papo.

O encontro, no dia 4 de agosto no Salão Oval – 30 minutos de tempo privado interrompido apenas quando a filha do presidente, Malia, ligou do acampamento de verão para lhe desejar feliz aniversário de 49 anos – foi notável não pelo que foi dito, mas por aquilo que foi necessário para acontecesse.

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Barack Obama, a secretária de Saúde Kathleen Sebelius, e o senador republicano Mitch McConell em encontro bipartidário (foto de arquivo)
Pouco tempo antes da reunião, Trent Lott, o ex-líder republicano no Senado, lamentou ao colega democrata Tom Daschle, que Obama nunca conseguiria que um importante tratado de armas nucleares com a Rússia fosse ratificado até que consultasse líderes republicanos.

Lott, que relatou a conversa em uma entrevista, contava com Daschle, um aliado próximo de Obama, para transmitir a mensagem – e foi assim que McConnell logo teve sua audiência com o presidente.

A Casa Branca disse que o encontro foi sobre sobre nomeações judiciais e não sobre o controle de armas. Mas o fato de um ex-líder do Senado ter considerado necessário trabalhar seus contatos para colocar Obama e McConnell em contato mostra o caminho difícil que o presidente terá de enfrentar caso os republicanos ganhem o controle de uma ou duas casas do Congresso nesta terça-feira.

Confiança

Antes que Obama e os republicanos possam garantir a cooperação mútua, eles devem primeiro encontrar uma maneira de garantir a confiança mútua, dizem pessoas de ambos os partidos.

Após dois anos de trabalho em desacordo com os republicanos, Obama e seus assessores estão planejando uma agenda pós-eleitoral para um clima político muito diferente. Eles veem potencial de cooperação bipartidária sobre a redução do déficit, a aprovação atrasada de pactos de livre comércio e a reformulação do projeto de educação conhecido como No Child Left Behind.

Publicamente, assessores de Obama insistem que estão se concentrando em manter os democratas com maioria e não querem detalhar sua estratégia pós-eleitoral. Mas, nos bastidores, os aliados da Casa Branca dizem que o novo chefe do Estado-Maior de Obama, Pete Rouse, está pensando em como Obama poderia buscar apoio. Muito dependerá do resultado desta terça-feira nas urnas.

Tea Party

Se os candidatos do movimento Tea Party conseguirem uma grande vitória, os líderes republicanos que poderiam estar inclinados a trabalhar com o presidente podem ter dificuldades em convencer seus membros a fazê-lo. Se os republicanos tomarem a Câmara e os democratas mantiverem o Senado, pode ser difícil para Obama unir as duas casas.

Uma questão importante é qual será a postura pública de Obama. Se os democratas forem arrasados, ele vai assumir a responsabilidade por isso? Ou ele vai insistir que os resultados não são uma reflexão de seu trabalho?

Será que ele vai seguir o caminho do presidente Bill Clinton, que adotou uma estratégia de triangulação de atuar no centro depois que os republicanos ganharam o controle do Congresso em 1994? "Se ele for para o centro, como Bill Clinton fez, acho que haveria muita esperança, mas neste momento ninguém sabe o que ele irá fazer", disse o senador Orrin G. Hatch, republicano de Utah.

*Por Sheryl Gay Stolberg

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