Noite feliz, talvez, mas um dia cheio de notícias

NOVA YORK ¿ Há uma teoria no jornalismo que diz que o dia de Natal é relativamente livre de notícias, um dia para passar em paz, em casa, abrindo presentes, divertindo a vovó, assistindo um DVD ou simplesmente ficar pensando no que se pedirá ¿ um yakissoba de camarão ou frango ¿ no Empire Grand, mais tarde.

The New York Times |

Como muitas teorias, esta também está errada. O fato é que historicamente falando e apesar de sua reputação, o Natal em Nova York e seu ambiente têm sido bem ¿ e até desproporcionalmente ¿ cheio de notícias, durante esses anos.

O grande evento de Natal no passado, na região de Nova York, aquele cujo acontecimento de alguma forma levou a todos os outros, foi a histórica passagem de George Washington pelo Rio Delaware para atacar Trenton, em 1776.

Não querendo ir muito longe no assunto, mas não posso evitar pensar que sem a façanha de Washington, Bernard King do Knicks nunca teria conseguido marcar 60 pontos em apenas um jogo, 208 anos depois, em uma valiosa tentativa de derrotar os Nets, no Natal de 1984.

Bem, antes disso, no entanto, houve notícias sobre a eletricidade. No Natal de 1882, Edward H. Johnson, vice-presidente da companhia de Thomas Edison, Edison Electric Light, revelou o primeiro conjunto de luzes de Natal em uma árvore, em sua residência.

Conectada com as mãos e composta por cerca de 80 lâmpadas do tamanho de uma noz, nas cores vermelha, branca e azul, as luzes de Johnson foram tão desejadas que a idéia foi usada 13 anos depois pelo presidente Grover Cleveland, tornando-se então uma tradição as luzes elétricas na árvore de Natal da Casa Branca. Ao cobrir a história das luzes de Johnson, o "Detroit Post" e o "Tribune" informaram: A árvore foi mantida em movimento por uma manivela elétrica escondida abaixo do chão. Foi uma exibição maravilhosa.

Viu? Essas são notícias importantes, disse Mike Hoyt, editor do The Columbia Journalism Review, que sabe reconhecer bem uma notícia. Esse é um grande evento, um evento cultural.

Outro evento cultural de alguma importância aconteceu em Nova York, no Natal de 1931, quando a Metropolitan Opera, pela primeira vez, transmitiu via rádio uma apresentação inteira. A peça era João e Maria. O compositor era Engelbert Humperdinck (alemão do século 19, não o popstar de mesmo nome).

Como alguém deve ter imaginado, muitas das notícias de Natal são relacionadas ao clima. Em 1947, por exemplo, a famosa nevasca cobriu todo o nordeste, Nova York chegou a 65 cm de neve em 16 horas, em uma tempestade que deixou ônibus presos, fechou os metrôs e matou cerca de 80 pessoas, deixando a cidade, como informou o jornal três dias depois, como um gigante abalado por um sopro repentino.

Jovens deixavam as calçadas e saltavam para as pilhas de neve, suas mãos faziam bolas de neve de maneira perfeita, indo além dos sonhos de um garoto do campo, escreveu o "The New York Times". Mais velhos também reagiram à mudança de cenário. Talvez seja porque eles perceberam sua presença insignificante diante a grande manifestação da natureza, havia muitos sorrisos estampados nos rostos.

No Natal de 1980, 33 anos depois, a temperatura atingiu -1 o C, e o vento chegou a uma velocidade de 64 km/h. Um homem do Brooklyn e seus dois filhos morreram em um incêndio, e em outro, as condições eram tão ruins que os bombeiros tiveram que degelar hidrantes congelados com maçaricos.

Claro que quatro anos depois houve o inesquecível desempenho de King na vitória de 120 por 114 contra os Nets ¿ no Natal, que foi seguida pela temporada seguinte por (obrigada de novo, general Washington)duas prorrogações na vitória do Knicks, no Natal, contra o Boston Celtics, que finalmente conseguiu ganhar o campeonato da temporada.

Outra coisa sobre o Natal é o número especial de pessoas famosas que costumam morrer nesse dia. Algumas delas não têm nada a ver com Nova York (William Claude Dukenfield, em 1946, em Pasadena, na Califórnia; Charlie Chaplin, em 1977, em Vevey, na Suíça; Nicolae Ceausescu, ex-ditador da Romênia, em 1989, por execução); alguns um pouco a ver com Nova York (James Brown, em 2006, Deus do soul e mentor do reverendo Al Sharpton); e alguns totalmente de Nova York, como Billy Martin, ex-diretor do Yankees, que morreu em um acidente de carro por estar bêbado, perto de Binghamton, no Natal de 1989.

A verdadeira questão, claro, que provavelmente irrespondível, é: por quê? Por que todas essas coisas ¿ exceto, talvez, pelas luzes da árvore de Natal de Johnson ¿ acontecem no Natal?

Hoyt fez uma tentativa. O sol nasce, ele disse. As pessoas saem para o mundo. Elas fazem coisas ruins e coisas boas. E as pessoas querem saber sobre essas coisas. É Natal. Mas ainda assim é um dia. E as coisas acontecem¿

Por ALAN FEUER


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