No Zimbábue, governo de Mugabe é suspeito de punir eleitores da oposição

JOHANNESBURG, África do Sul ¿ Nas eleições do último mês, sinais de castigos cometidos contra cidadãos simpatizantes do partido de oposição do Zimbábue começaram a vir à tona, embora o governo tenha tentado restringir o acesso da impressa ao país e omitir violência ali presente.

The New York Times |

Na medida em que cidadãos do Zimbábue aguardam pelo resultado final das eleições do dia 29 de março, essa série de evidências ¿ através de depoimentos, fotografias e outras documentações, algumas compiladas pela equipe de diplomacia dos Estados Unidos- levantou sérias questões sobre a legitimidade da votação da disputa, que teoricamente se dá entre o presidente Robert Mugabe, no poder há 28 anos, e seu rival, Morgan Tsvangirai, do Movimento Democrático pela Mudança. Tsvangirai, que deixou o país no ultimo 7 de abril, afirmou que teme por sua segurança quando retornar ao Zimbábue.

As questões se elevaram a tal patamar que uma alta oficial dos direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Louise Arbour, expressou publicamente preocupação no último domingo com a violência que poderia subverter quaisquer esforços realizados em relação à crise política do Zimbábue. As informações que recebi sugerem uma crescente onda de violência política que afeta principalmente, mas não exclusivamente, simpatizantes rurais do partido oposicionista, afirmou em um discurso em Genebra, na Suíça.

Jendayi E. Frazer, antigo diplomata norte-americano na África, que tem realizado constantes tours pela região, afimou à BBC em uma entrevista que o Conselho de Segurança deveria considerar sanções ao Zimbábue caso a violência pós-eleitoral não chegue ao fim.

Agricultores das províncias de Masvingo, Mashonaland do Leste e Manicaland, que trabalham em nome da oposição e foram entrevistados por telefone durante a última semana, descrevem o mesmo estilo de gangs comandadas pelo partido, que sob disfarce, visitam as regiões para prática de violência.

Aldeãos de Manicaland afirmaram que este mês foram acordados no meio da noite por saqueadores que vieram puni-los por terem votado contra Mugabe, atirando pedras e desalojando algumas famílias de suas casas.

Segundo testemunhas, no dia seguinte, ao invés de proteger as vítimas, agentes da polícia ordenaram às vítimas que se livrassem se seus poucos bens e que esvaziassem suas cabanas. Depois, criminosos retornaram ao pequeno vilarejo ao norte da cidade de Mutare, atirando barras de metal contra algumas casas e ateando fogo em outras.

- Celia W. Dugger

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