No tumulto da Cisjordânia, jovem palestino encontra paz em violinos

RAMALA - O jovem era talentoso com as ferramentas. Sobrinho de um carpinteiro, ele gostava de consertar cadeiras, janelas e portas. Em outros momentos ele gostava de se sentar tranquilamente na calçada.

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Mesmo com conflitos no país, jovem se distrai com os violinos

Ramzi Aburedwan o percebeu. Como o flautista de Hamelin, Aburedwan, um violinista educado na França e criado em um campo de refugiados palestinos, tentava levar crianças palestinas para o mundo da música: ou mais precisamente para um centro musical que estabeleceu em uma região antiga da cidade.

Mas ele tinha outras ideias para o jovem. O centro recebeu dezenas de instrumentos de cordas doados da Europa: propensos à rachaduras, ranhuras e braços empenadas.

O jovem, Shehade Shelaldeh, se tornaria o reparador de violinos.

Assim, dois anos mais tarde, depois de absorver lições de luthiers, visitantes voluntários e três meses de aprendizado na Itália, Shelaldeh, 18, tem sua própria loja de reparos de instrumentos. Ela fica em uma antiga garagem perto do centro musical e se chama Al Kamandjati ("O Violinista"). Ele aprendeu a reparar instrumentos e substituir os fios dos arcos. Ele já fez dois violinos, um com uma minúscula bandeira palestina no braço, que segura as cordas.

"Este é um lindo sentimento", disse Shelaldeh no final de abril. "Eu quero trabalhar aqui e ensinar as pessoas". A precisão é o que mais o atrai neste trabalho, ele conta, bem como a paz que advém de se trabalhar por si mesmo até mais tarde.

Em um lugar familiarizado com o som de disparos, veículos militares e explosões, ele disse, "Al Kamandjati nos ensinou a ouvir música".

O centro e o aprendizado de Shelaldeh, de uma profissão que nasceu no século 17, fazem parte de um recente interesse em música clássica, tanto ocidental quanto oriental, nos territórios ocupados. Pais, estudantes e professores locais dizem que isso vem da percepção de que cultura é um reconhecimento fácil da identidade nacional, principalmente em um momento no qual a perspectiva de um Estado palestino parece pequena. Além disso, dá aos jovens sem ocupação algo o que fazer.

No caso de Shelaldeh, a música clássica significa uma carreira. Um de seus principais professores, Paolo Sorgentone, afirmou em seu workshop em Florença, Itália, no mês passado, que ainda que o jovem tenha muito o que aprender, ele é um talento nato "tanto nas mãos quanto na cabeça".

"Do começo ele mostrou uma rapidez e inteligência para entender o que é preciso fazer", disse Sorgentone. "Ele tem uma intuição para o trabalho". Em poucos anos, ele acrescentou, Shelaldeh se tornará um "luthier excelente".

No trabalho, em um dia comum, com os cabelos modelados para cima, Shelaldeh cuidava de um violino chinês de má qualidade. Ele substituiu um braço fraco, remodelou um arco e preparou a madeira.

"Meu sonho", ele disse, "é me tornar um famoso reparador de instrumentos".


Por DANIEL J. WAKIN


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