No Texas, lápide de Lee Harvey Oswald é alvo de disputa

Objeto que ficava no túmulo de homem tido como assassino de John F. Kennedy é disputado por família e museu de Illinois

The New York Times |

A lápide de Lee Harvey Oswald não consegue descansar em paz por muito tempo.

Não que ele tenha descansado em qualquer lugar por muito tempo.

Nos 50 anos desde que Oswald, o suposto assassino do presidente John F. Kennedy, foi enterrado no Texas, sua lápide já foi roubada de um cemitério, recuperada pela polícia, escondida por segurança e transferida entre parentes distantes que compraram a casa da mãe de Oswald depois que ela morreu.

Agora, um dos membros da família quer tomar uma ação legal para retirá-la de seu atual lar, um museu automóvel localizado em Roscoe, Illinois.

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A lápide do túmulo de Lee Harvey Oswald, exibida em museu sobre carros em Roscoe, Illinois (02/04)

"Olha, eles nos enrolaram", disse David Card, 72, dono de uma casa noturna de Dallas, que afirmou que a prima de sua esposa não possuía a lápide quando a vendeu, dois anos atrás.

A histórica lápide de 60 quilos - gravada com o nome de Oswald, datas (18 de outubro de 1939 - 24 de novembro de 1963) e uma cruz - está em exposição no Museu Histórico de Atrações Automotivas, em Roscoe, uma pequena cidade a 30 quilômetros de Chicago, perto da fronteira com o Wisconsin.

Inaugurado em 2001, o museu expõe principalmente carros de corrida, mas expandiu suas operações para incluir dados peculiares da história, da política e de Hollywood. Sua coleção sobre Kennedy está situada entre a limusine de outros presidentes americanos e três batmóveis.

Em frente à lápide de Oswald, fica uma sala dedicada ao seu próprio assassinato, incluindo a ambulância que o levou às pressas para um hospital depois que ele foi morto a tiros quando estava sendo escoltado pela polícia, dois dias depois da morte do presidente. Wayne Lensing, o proprietário do museu, também pensou em comprar o caixão que teria sido de Oswald, exumado em 1981, mas achou que seria algo muito macabro para a coleção - o caixão foi vendido em leilão duas décadas mais tarde por US$ 87.468.

Lensing, 64, gastou muito menos na lápide, por volta de tímidos US$ 10 mil - ele não quis revelar a quantia exata - que considerou uma pechincha. O objeto foi comprado de uma mulher chamada Holly Ragan, parente distante de Card.

A família de Card encontrou a lápide pela primeira vez cerca de 30 anos atrás, no forro da casa que havia sido da mãe de Oswald, Marguerite. Ela havia escondido a lápide depois que adolescentes a retiraram do túmulo de seu filho no quarto aniversário da morte de Kennedy. Ela foi devolvida dias depois.

Com medo que o túmulo voltasse a ser alvo de vândalos, ela colocou uma pedra mais simples em seu lugar - nenhum nome, nenhuma data, simplesmente "Oswald" - que permanece no Cemitério de Shannon Rose, em Fort Worth.

Card, que encontrou a lápide no site do museu no ano passado, planeja processar Ragan e Lensing nos próximos meses para recuperar sua posse.

Insistindo que dinheiro não é sua principal motivação, Card afirma que gostaria de doar o item para o Museu do Sexto Andar, em Dallas, que narra o assassinato de Kennedy. Um porta-voz do museu, localizado no antigo Depósito de Livros Escolares do Texas onde Oswald trabalhava e de onde foram disparados os tiros contra a comitiva de Kennedy, disse que não tinha interesse em exibir a lápide neste momento.

"O que há de errado em deixá-la em exposição aqui?", questionou Lensing, que disse ter sido pego de surpresa pela disputa familiar e que está disposto a gastar o que for necessário para manter o item no museu. "Tudo que fiz foi uma compra. Como poderia saber do que havia por trás de tudo aquilo? "

Por Steven Yaccino

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