Falta de sistema tributário justo alimenta a desigualdade na sociedade paquistanesa

Grande parte de Islamabad, capital do Paquistão, parece um rico subúrbio de Los Angeles. Veículos utilitários passeiam por condomínios fechados. Empregados cuidam de casas elegantes de vários andares.

Mas por trás da opulência está um fato preocupante. Poucos destes lares pagam imposto de renda. Isso se deve principalmente ao fato de que os políticos que fazem as regras também são os cidadãos mais ricos do país e são hábeis em encontrar maneiras de se isentar.

Isso seria um problema em qualquer país. Mas, no Paquistão, a falta de um sistema tributário viável alimenta algo mais ameaçador: a desigualdade na sociedade, onde a riqueza dos seus membros mais poderosos nunca é redistribuída para o bem público.

Isso está criando condições que ajudam a disseminar a insurgência que atormenta o país e complica a política americana na região. Também é uma performance ruim de um país que está entre os maiores receptores de ajuda americana - bilhões de dólares que sustentam as finanças do país e ajudam seus líderes a combater a insurgência.

Embora as autoridades paquistanesas tenham tentado expandir a rede tributária nos últimos anos, com a tributação de lucros do mercado acionário e imobiliário, setores inteiros da economia, como a agricultura, principal fonte de riqueza da elite, continuam não tributados.

"Os impostos representam o calcanhar de Aquiles dos políticos do Paquistão", disse Jahangir Tareen, empresário e membro do Parlamento que está tentando colocar os impostos na agenda pública.

Ele pagou US$ 225.534 em imposto de renda em 2009, valor que tornou público no Parlamento no mês passado. "Se você não tem renda, ótimo, mas então não ande por aí em uma Land Cruiser". As regras dizem que quem ganha mais de US$ 3.488 por ano, deve pagar imposto de renda, mas poucos fazem. Grande parte da evasão fiscal, especialmente dos mais abastados, é legal.

Sob uma lei de 1990 que se tornou uma das principais ferramentas para legalizar dinheiro não registrado feito no Paquistão - ou obtido ilegalmente -, as autoridades aqui não estão autorizados a questionar dinheiro transferido do exterior.

Empresários e políticos canalizam bilhões de rúpias por Dubai de volta ao Paquistão sem que perguntas sejam feitas.

"Neste país, ninguém se pergunta: 'Como você conseguiu esse apartamento em Mayfair?'", disse Shabbar Zaidi, sócio na AF Ferguson & Company, uma firma de contabilidade em Karachi, referindo-se à área nobre de Londres. "É um país muito bom para os ricos. Motoristas, empregados, casas grandes. A questão é, quem está sofrendo? O homem comum".

* Por Sabrina Tavernise

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