No México, Homem-Aranha está entre os mais procurados

Durante polêmica operação contra pirataria, polícia apreende mais de cem acessórios para festas que tinham o super-herói como tema

The New York Times |

O Homem-Aranha conseguiu vencer o Duende Verde, o Doutor Octopus e Venom, para citar apenas alguns de seus adversários ao longo dos anos. Mas o super-herói não foi páreo para a polícia federal do México, que recentemente o levou em custódia.

Em uma operação contra a pirataria de piñatas alguns meses atrás, agentes da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal apreenderam mais de 100 destes acessórios para festas feitos de papel machê, entre eles o Homem-Aranha era a principal personagem, e prenderam vários vendedores do produto também.

As autoridades disseram que a operação foi uma resposta a uma queixa apresentada pela Marvel Entertainment, que detém os direitos sobre as personagens em questão.

O Hulk, outra personagem da Marvel, também foi apreendido pelos homens de preto naquele dia, assim como o Capitão América.

Mas a trama sofreu uma reviravolta quando descobriu-se que a operação poderia ser tão questionável quanto as piñatas que foram apreendidas.

O gabinete do procurador-geral disse que não tinha registro da Marvel ter solicitado tal operação, algo que a legislação do país exige antes que uma operação seja realizada, e a empresa insiste que não teve nada a ver com a ação policial.

Oficiais federais disseram mais tarde que foi a Televisa, uma companhia de televisão mexicana, que deu entrada com a queixa que levou à operação.

Seja qual for a proveniência da operação, o advogado dos fornecedores, Fidel Lopez Garcia, disse que ela parece ter sido destinada principalmente a extorquir dinheiro dos vendedores e apreender seus produtos, algo que não é raro no México.

Lopez e os vendedores dizem que, após a apreensão de milhares de piñatas, a polícia e os oficiais não apenas começaram a vendê-las nas ruas, mas também ofereceram vendê-las de volta aos próprios vendedores.

Um porta-voz da promotoria federal mexicana rejeitou as acusações dos vendedores sobre a operação, dizendo simplesmente: "Ela não foi ilegal."

Piñatas representam uma pequena parcela dos negócios de pirataria que estão crescendo no México.

"As estatísticas não mentem e nós tínhamos de fazer alguma coisa, porque oito em cada 10 pessoas compram produtos falsificados, e 54% dos produtos no mercado são falsificados", disse Arturo Jiménez Zamora, um parlamentar que defendia uma lei antipirataria mais rígida que já foi aprovada.

Críticos do governo afirmam que apenas os pobres irão sofrer se houver qualquer repressão aos produtos falsificados.

"Em vez de criar empregos, este governo persegue as pessoas que optaram por não aderir ao mundo do crime e que buscam um trabalho honesto para por pão na mesa", disse Gerardo Fernandez Norana, um legislador da oposição.

Por Marc Lacey

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