Acidente causado pelas fortes chuvas levou a troca de acusações entre autoridades por informações desencontradas

Em menos de um dia, o Estado de Oaxaca passou do terror ao alívio depois de ter ficado claro que a calamidade que se temia, quando a encosta de uma montonha desabou sobre uma aldeia, não viria a acontecer. A troca de acusações começou na quarta-feira, quando os oficiais tentaram colocar a culpa um no outro pelo primeiro relatório divulgado na terça-feira, que sugeria que centenas de pessoas – talvez até 1mil – podiam estar soterradas pela lama e rochas.

Depois que soldados e equipes de resgate se arrastaram pelo campo lamacento para chegar à vila de Santa Maria Tlahuitoltepec, ficou claro que a escala do desastre era bem menor: ao cair da noite, os oficiais disseram que 11 pessoas estavam desaparecidas.

Equipes de resgate retiram vítima de deslizamento em Santa Maria Tlauiltoltepec, no México
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Equipes de resgate retiram vítima de deslizamento em Santa Maria Tlauiltoltepec, no México

A chuva constante sobre o sul do México fez mais vítimas na quarta-feira. Oficiais do Estado de Chiapas afirmaram que 16 pessoas morreram em um deslizamento de terra no município de Amatan.

Em Oaxaca, os oficiais tentaram explicar o que aconteceu na terça-feira. "Eu tenho de admitir que estava um caos de informação, todo mundo estava repetindo a primeira coisa que ouvia”, disse Luis Zarate, diretor de operações da agência de proteção civil do Estado de Oaxaca.

No fim, a confusão pode ter sido simplesmente falta de comunicação, como um jogo de telefone sem fio, em que uma mensagem fica cada vez mais truncada pois é transmitida de pessoa para pessoa.

Zarate e outras autoridades públicas pareciam apontar seus dedos a um dos líderes locais em Santa Maria Tlahuitoltepec que fez a primeira alegação ansiosa após o deslizamento de terra por volta das 4h da manhã na terça-feira.

Referindo-se ao chefe da aldeia, Zarate disse: "Eu não sei se ele queria conseguir publicidade internacional para sua vila ou se o pânico levou a melhor sobre ele e ele foi afetado por falar diretamente com o governador".

Catástrofe

O deslizamento de terra na aldeia, situada nas montanhas da região indígena de Oaxaca, emergiu como uma catástrofe natural de proporções internacionais depois que o governador de Oaxaca, Ulises Ruiz, foi à rádio nacional para dizer que de 500 a 1 mil pessoas poderiam ter desaparecido.

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Homem observa área afetada por deslizamento em Santa Maria Tlauiltoltepec, no sul do México
Mas Donato Vargas, membro do conselho eleito, que governa a comunidade de acordo com a lei indígena, disse em uma entrevista que não havia exagerado os números. Descrevendo como fez o primeiro alarme em um telefone via satélite improvisado quando a energia falhou após o deslizamento, Vargas disse: "Nós conversamos sobre a possibilidade de 30 a 50 vítimas".

Ele avisou que as casas de até 8 mil pessoas poderiam ter sido danificadas, ele disse, e que 500 pessoas poderiam ter sido diretamente afetadas.

"Eu acredito que a informação foi alterada quando foi divulgada", disse Vargas. "Eu nunca disse que tantas pessoas estariam soterradas".

Mais chuva

A chuva caiu por mais um dia sobre as montanhas de Oaxaca na quarta-feira e as autoridades disseram que centenas de famílias abandonaram a vila por abrigos. Os governos estaduais em Oaxaca, Veracruz e Tabasco estavam em alerta por causa das inundações continuas.

Em Oaxaca, o governo estadual emitiu um alerta sobre o nível das águas dos rios, que deve continuar subindo em boa parte do Estado.

*Por Malkin e Antonio Betancourt Elisabeth

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