No Japão pós-tsunami, qualquer traço de luxo é condenável

Com medo da crise, japoneses se tornam obcecados em conter. Alerta contra desperdício levou apetite por artigos luxuosos cair

The New York Times |

Aos 23 anos, Maki Kusaka, funcionária de um escritório em Tóquio, tem 10 bolsas Gucci no guarda-roupa, frutos de uma obsessão que tem compartilhado com inúmeros outros japoneses em coletar as marcas mais famosas do mundo para artigos de luxo.

O Japão tem uma das maiores economias do mundo e os seus consumidores são responsáveis por uma parcela descomunal de todas as vendas de mercadorias de luxo. No ano passado, quase um quarto dos produtos de luxo foram comprados pelos japoneses, de acordo com o Deutsche Bank, mais do que qualquer outra região.

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Moradores de Tóquio passam por loja da Louis Vuitton depois de terremoto que arrasou o país (25/3/2011)
Mas as prioridades da vida foram totalmente transformadas depois do devastador terremoto, seguido de tsunami e catástrofe nuclear que atingiram o país.

"Eu percebo o quanto eu gastei", disse Kusaka ao percorrer ruas vazias em uma noite recente, no distrito comercial de Ginza, com seu namorado. O local, normalmente agitado e cheio de pessoas fazendo compras, agora tem postes desligados para economizar eletricidade duas semanas após o terremoto. "Esse incidente mudou a perspectiva das pessoas", disse ela.

De fato, a notável diminuição do otimismo do consumidor no Japão está afetando vários setores – montadoras e empresas de telefonia celular, entre outros.

Na indústria de luxo, no entanto, quase toda empresa ainda conta com o Japão para uma média de 13% do lucro total, mesmo enquanto abrem lojas na China em ritmo alucinante.

Os consumidores japoneses em casa e no exterior representaram 24% de todas as vendas de bens de luxo em 2010, de acordo com o Deutsche Bank, em comparação com 22% dos europeus, 20% dos americanos, 19% dos chineses e 15% de outras nacionalidades.

É impossível dizer se o choque dos acontecimentos recentes irão levar os consumidores japoneses a recuar por um longo período ou se o impacto será sentido apenas no curto prazo, como aconteceu depois do 11 de Setembro nos Estados Unidos.

Os analistas estão se apressando para reduzir as suas projeções de crescimento e ganhos no setor de luxo, com expectativas de que a demanda japonesa possa cair até 30% este ano e manter-se morna por até cinco anos.

Louis Vuitton, Gucci, Hermes, Tiffany e muitas outras grandes marcas começaram a reabrir centenas de lojas que fecharam em Tóquio e em todas as regiões do nordeste do Japão, afetada pelo tsunami e riscos nucleares. Algumas, como a Tiffany, estão dispostas a continuar com o horário de funcionamento reduzido ou com intervalos, por causa dos apagões e outras incertezas.

Nenhuma das empresas quis discutir as suas perspectivas ou comentar se os eventos irão mudar a sua estratégia para o mercado japonês, além de indicar como veem a situação. "Continuamos vigilantes e acompanhando a situação, pois ela está mudando constantemente", disse um porta-voz da PPR, dona da Gucci, Bottega Veneta, Yves Saint Laurent e muitas outras marcas de luxo.

*Por Liz Alderman

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