No Iraque, último prisioneiro dos americanos vira dilema para Obama

EUA estão discutindo se entregam suposto agente do Hezbollah para autoridades iraquianas ou tentam levá-lo junto durante retirada

The New York Times |

À medida que as tropas dos Estados Unidos se preparam para deixar o Iraque no final desse mês , o governo Obama está enfrentando um dilema significativo sobre o que fazer com os últimos prisioneiros mantidos pelos militares americanos no Iraque.

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AP
Militares dos Estados Unidos participam de cerimônia em Bagdá que marca o fim da Guerra do Iraque

Ali Musa Daqduq, um libanês suspeito de ser um agente do Hezbollah, é acusado de ajudar a orquestrar um ataque realizado em janeiro 2007 por militantes xiitas que resultou na morte de cinco soldados americanos.

O governo americano está lutando com a opção de entregá-lo ao governo iraquiano - como fez com seus outros prisioneiros de guerra - ou procurar uma maneira de levá-lo com os militares em retirada, de acordo com entrevistas com oficiais familiarizados com as deliberações sobre a questão.

Mas cada opção para lidar com Daqduq tem suas desvantagens, segundo as autoridades, praticamente garantindo que seu destino será mais uma parte confusa do fim da Guerra do Iraque.

"Existem sérias deliberações em curso sobre como lidar com essa pessoa para melhor proteger os membros do serviço dos Estados Unidos e interesses mais amplos dos americanos", disse Tommy Vietor, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional.

Segundo um acordo de status quo, Daqduq seria entregue aos iraquianos para uma eventual ação judicial.

As autoridades americanas estão cautelosas, no entanto, porque muitos ex-detentos foram absolvidos pelos tribunais iraquianos ou libertados sem passar por julgamento, e o premiê iraquiano Nouri al-Maliki poderia enfrentar pressões políticas para libertá-lo.

A alternativa seria que os Estados Unidos levassem Daqduq do Iraque e o processassem em um desses três locais: em um tribunal civil, em uma comissão militar na prisão de Guantánamo, ou em um tribunal de outro lugar.

Alguns conservadores argumentam que uma vez que os Estados Unidos têm o controle físico de Daqduq, é necessário apenas colocá-lo em um avião, sem precisar de permissão do Iraque - essencialmente uma detenção e não uma extradição. Eles afirmaram que os iraquianos se queixariam, mas que isso não importa.

Mas oficiais do governo disseram que essa solução seria uma violação da soberania do Iraque, ameaçando a relação estratégica entre os dois países num momento em que o objetivo principal é relegar a guerra e a ocupação ao passado e estabelecer o tipo de relacionamento diplomático normal que existe entre dois Estados soberanos.

Por Charlie Savage

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