No Iraque, onda de criminalidade pode ser considerada uma vitória

No país onde atentados suicidas são rotina, roubos e assassinatos ilustram novo panorama de violência

The New York Times |

No dia em que o premiê da Turquia chegou à capital do iraquiana, Bagdá, para promover os laços comerciais entre seu país e o Iraque, uma onda de ataques, incluindo atentados nas estradas, roubos de jóias e o assassinato de seis mulheres e um homem em Mosul, que pode ter sido relacionado com a prática da prostituição, ecoaram por todo o país.

Mais de uma dezena de pessoas foi morta – o número de vítimas é impreciso logo após os ataques e muitas vezes muda nos dias seguintes.

AP
Cortejo leva caixão com corpo de oficial morto em atentado em Bagdá, no Iraque (1/4/2011)
Os ataques, todos desconexos, ilustram a mudança no panorama da violência no Iraque hoje: menos explosões em grande escala e coordenadas que alvejam civis inocentes, e um aparente aumento no número de assassinatos e roubos.

Em uma segunda-feira recente, em um bairro no nordeste de Bagdá, três bombas explodiram diante de um mercado e, em seguida, dois homens armados invadiram lojas de joias, matando quatro pessoas e ferindo outras nove, segundo um oficial do Ministério do Interior. Os homens armados fugiram com dinheiro e joias, e o ataque foi feito nos mesmos padrões que outros anteriores que as autoridades de segurança acreditam terem sido realizados para arrecadar dinheiro para grupos insurgentes. No início deste ano, um líder de um grupo insurgente, a Al-Qaeda no Iraque, foi capturado e disse em uma entrevista à televisão estatal que uma série de ataques a joalheiros e ourives no ano passado foram realizados para arrecadar dinheiro para realizar ataques.

Al-Qaeda

Mesmo com a natureza da violência mudando, a ameaça de ataques de grupos insurgentes maiores afiliado com o Estado Islâmico do Iraque – uma organização que inclui a Al-Qaeda no Iraque – e grupos ligados ao antigo governo permanece.

No entanto, a violência geral caiu drasticamente no país, especialmente desde a guerra civil que assolou o país entre 2006 e 2007, mas também em relação ao ano passado. Em fevereiro, por exemplo, 184 pessoas foram mortas em ataques em todo o país, com exceção da região semiautônoma curda do norte do país, segundo estatísticas do Ministério do Interior. Em fevereiro de 2010, 435 foram mortos.

Portanto, embora os ataques e roubos menores continuem, a queda na violência tem permitido que uma versão da vida cotidiana floresça. Uma nova roda gigante foi inaugurada em um dos maiores parques de Bagdá, elevando-se acima dos muros, e no domingo o primeiro dia da semana de trabalho aqui, ela estava lotada de famílias. Uma revendedora de carros luxuosos abriu em um bairro de classe média, assim como inúmeros novos restaurantes e cafés.

E a diplomacia de alto escalão voltou ao país, não apenas sob a forma da visitas como a do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, mas também nos preparativos para uma reunião de cúpula da Liga Árabe, que está programada para acontecer em Bagdá em maio.

Antes das revoltas democráticas em todo o Oriente Médio, muitos temiam que a segurança no Iraque forçaria o cancelamento da reunião. Agora, o medo é que outros líderes árabes sejam derrubados se deixarem seus países.

*Por Tim Arango

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