No Iraque, censura volta a agir silenciosamente

BAGDÁ - As portas da revolução na comunicação foram abertas no Iraque depois da invasão liderada pelos americanos em 2003, permitindo a entrada de uma onda de vídeos musicais envolvendo cantoras turcas escassamente vestidas, websites recrutando homens-bomba, enérgicas novelas egípcias, pornografia, livros de romance e notícias americanas e israelenses, além de websites de entretenimento que há muito tempo eram proibidos pelo regime de Saddam Hussein.

The New York Times |

Agora estas portas podem voltar a se fechar, pelo menos parcialmente, conforme o governo iraquiano tenta proibir websites julgados prejudiciais ao público, exigir que lan houses se registrem com as autoridades e pressionar editoras para que censurem livros.

O governo, que tem procedido sileciosamente sobre as novas leis de censura, disse que as proibições são necessárias porque material atualmente disponível no país têm encorajado a violência sectária na frágil democracia e influenciado a mente dos jovens.

"Nossa constituição respeita a liberdade de pensamento e a liberdade de expressão, mas elas devem vir com respeito à sociedade e ao comportamento moral", disse Taher Naser Al-Hmood, vice-ministro da Cultura do país. "Não é fácil de equilibrar segurança e democracia. É como andar sobre uma corda bamba."


Ghada Al-Amily, gerente de uma editora de Bagdá segura livro
de um artista local que o governo quer censurar / NYT

Mas os oponentes das propostas questionam por que o Iraque buscaria impor os mesmos tipos de censura que estavam entre os aspectos o mais detestados de vida diária sob o governo de Saddam Hussein e sugerem que as medidas são outro exemplo de como o primeiro-ministro Nouri Kamal Al-Maliki tenta consolidar seu poder. As novas políticas devem fazer com que o Iraque se alinhe mais com Estados islâmicos vizinhos.

As regras novas constituem um "retorno à ditadura", disse Ziad Al-Ajeeli, que dirige a Sociedade de Defesa da Liberdade de Imprensa, um grupo iraquiano sem fins lucrativos.

"A imposição da censura representa o fim da liberdade de expressão e pensamento que chegaram ao Iraque depois do dia 9 de abril de 2003", ele disse, se referindo à data da derrubada de uma enorme estátua de Saddam em Bagdá.

A constituição do Iraque não é clara sobre o assunto. Ela garante liberdade de expressão, mas apenas se não "violar a ordem pública e a moral."

A Constituição especificamente proíbe materiais acusados de serem apóstatas, uma justificação usada por extremistas sunitas para matar xiitas (e uma preocupação particular para o governo xiita do país). Este mês, o governo começou a exigir que lan houses se registrem com as autoridades ou sejam fechadas.

"Nós estamos vivendo em um momento tão perigoso que precisamos controlar as coisas", disse Majeed H. Jasim, diretor da Companhia Estatal de Serviços de Internet.

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