No Iraque, atentados e impasse político perpetuam miséria

Ataques quase diários e inércia de parlamentares fazem iraquianos viverem nostalgia amarga

The New York Times |

Reuters
Iraquiana passa por parte de Bagdá que foi alvo de ataque na terça-feira (3/11/2010)
Dez pessoas morreram na praça Aroba perto de um santuário com cúpula de ouro na capital, onde um homem-bomba agiu pouco depois do pôr-do-sol de terça-feira. No dia seguinte, ninguém saberia disso.

Fios elétricos ficaram pendurados, cartazes foram rasgados, janelas e faróis quebrados. Mas isso descreve qualquer lugar em Bagdá, uma cidade mais destruída do que negligenciada, que vive em uma amarga nostalgia.

A cena era comum. E isso irritou Hassan Al-Bahadli na quarta-feira. "Sete anos!", ele gritou, em meio a uma multidão, no labirinto escuro e claustrofóbico que é o Mercado Majid. "Sete anos, e essas explosões ainda acontecem?!"

Uma discussão se seguiu, como costuma acontecer na cidade. "A primeira coisa em uma Constituição é os direitos dos cidadãos", ele disse. "É o respeito ao povo, mas aqui não há nenhum respeito. Tudo que ouvimos são ilusões e promessas no papel".

Pelo menos você tem a liberdade de falar, afirmou um primo. Um amigo insistiu que os mortos eram realmente mártires para um futuro democrático.

Argumentos como esses foram ouvidos muitas vezes após a queda de Saddam Hussein. Eles são proferidos com menor frequência agora, especialmente depois de dois dias de alguns dos ataques mais ferozes desde 2003, que mataram pelo menos 122 pessoas, sete meses de disfunção política que dá sinais de um Estado falido e sete anos de ocupação, guerra e miséria que transformaram desilusão em nojo.

Parlamento

Na quarta-feira, o presidente do Parlamento em exercício, Fouad Massoum, prometeu que os parlamentares se reunirão na próxima semana - eles recebem mais de US$ 11 mil por mês por 18 minutos de trabalho em uma sessão em junho.

Mas talvez não. O maior bloco considera a possibilidade de boicotar a reunião e pode não haver quórum. Mesmo se houver reunião, pode não haver acordo para acabar com o impasse.

Enquanto o impasse político continua, as pessoas queixam-se com desespero, mas a sensação é de que não são escutadas. Este ano, que poderia ser lembrado pela retirada parcial dos Estados Unidos do terrritório iraquiano e pela eleição de um governo destinado a presidir a partida do resto das tropas, pode ser recordado de forma diferente: a época em que o novo Iraque parecia quebrado.

Massoum disse algo sobre o encontro que poderia ser aplicado a todo o país. "O que vai acontecer, eu não sei", ele disse. "O que acontecer, acontecerá".

*Por Anthony Shadid

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