No futuro digital, livros didáticos serão história

Livros didáticos ainda não tiveram o destino dos papiros. Mas muitos educadores dizem que não irá demorar muito para que sejam substituídos por versões digitais - ou suplantados por lições que reúnam conteúdo da riqueza de recursos grátis da internet.

The New York Times |

"As crianças se conectam de maneira diferente hoje em dia", disse Sheryl R. Abshire, diretora de tecnologia do sistema de ensino da Paróquia de Calcasieu de Lake Charles, Louisiana. "Elas não se relacionam com livros didáticos que são finitos, lineares e rotineiros."

Na Califórnia, o governador Arnold Schwarzenegger anunciou neste verão uma iniciativa que irá substituir alguns livros de ciência e matemática das escolas secundárias por versões digitais de "código aberto" e gratuitos.


Livros didáticos estão com os dias contados nas escolas / NYT

Com a Califórnia em uma situação financeira difícil, o governador espera que os livros gratuitos possam economizar milhões de dólares ao ano.

Muitos superintendentes estão entusiasmados com a medida.

"Em cinco anos, eu acho que a maioria dos estudantes estará usando livros didáticos digitais", disse William M. Habermehl, superintendente dos 500 mil alunos das escolas do Condado Orange, na Califórnia. As escolas que não fizerem a mudança, segundo Habermehl, podem perder alunos.

"Nós ainda estamos em fase de implementação, dentro do paradigma de 30 alunos para um professor", disse Habermehl, "mas precisamos abandonar este formato para ter 200 ou 300 alunos fazendo cursos online, à noite, 24 horas por dia nos sete dias da semana, sempre que quiserem".

Mas o futuro digital ainda não chegou à maioria das salas de aula. Em primeiro lugar, porque ainda há uma grande divisão digital. Nem todos os alunos têm acesso a um computador, um dispositivo eletrônico de leitura ou um smartphone, e poucos distritos têm a verba suficiente para oferecer isso a seus estudantes. Portanto, livros didáticos digitais podem aumentar o vão entre ricos e pobres.

"Uma grande parte de nossas crianças não tem computadores em casa e seria muito caro imprimir os livros didáticos", disse Tim Ward, superintendente assistente do distrito de Chaffey, de 24 mil alunos, onde mais da metade vem de famílias de baixa renda.

Muitos educadores esperam que a utilização de livros didáticos digitais e cursos online comece aos poucos, talvez para aqueles que queiram estudar um assunto que não conseguem incluir em sua agenda escolar, ou precisam de créditos para se formar.

Mas quando isso acontecer, a mudança para o online será uma real ameaça às editoras de livros de ensino tradicionais. "Nós acreditamos que o mundo se tornará digital, mas ainda não foi decidido como isso acontecerá", disse Wendy Spiegel, porta-voz da Pearson, a maior editora dos Estados Unidos.

"Nós somos agnósticos, assim forneceremos livros digitais, forneceremos livros impressos e veremos o que nossos clientes preferem".

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