No Egito, EUA buscam equilibrar mudanças com estabilidade

Governo de Barack Obama tenta manter aspirações na região enquanto dá apoio a movimentos pró-democracia no país

The New York Times |

O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, diz não acreditar que seja a hora de revogar uma lei de estado de emergência de 30 anos que tem sido utilizada para reprimir e prender os líderes da oposição. Ele não acha que o presidente Hosni Mubarak precisa renunciar antes de seu mandato terminar em setembro. E também não crê que seu país esteja preparado para a democracia.

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Foto de setembro de 2010 mostra Obama com Hosni Mubarak, no Salão Oval da Casa Branca, nos EUA
Mas, na falta de opções melhores, os Estados Unidos estão encorajando-o nas negociações de um ainda incerto processo de transição no país. Ao fazer isso, os americanos confiam no governo existente para fazer mudanças a que têm resistido há anos e até agora não parece ansioso para concretizar.

Após duas semanas de mensagens alternadas e esforços para se manter a par de uma situação que evolui rapidamente, o governo Obama ainda está tentando equilibrar o apoio a algumas das aspirações fundamentais de mudança no Egito com sua preocupação de que o movimento pró-democracia possa ser "sequestrado” - como disse a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton -, se a mudança acontecer muito rapidamente.

O resultado tem sido alimentar uma percepção, nas ruas do Cairo e em outros lugares, de que os Estados Unidos, pelo menos por enquanto, estão colocando a estabilidade à frente dos ideais democráticos e nutrindo as esperanças de uma mudança pacífica e gradual, em grande parte nas mãos das autoridades egípcias - principalmente Suleiman -, que têm todos os motivos para retardar o processo.

Ponto de vista

Confrontada com questões sobre o ponto de vista de Suleiman, expresso em uma série de entrevistas nos últimos dias, na segunda-feira a Casa Branca disse que elas são inaceitáveis. "A noção de que o Egito não está pronto para a democracia é uma contradição com o que vemos acontecer na praça Tahrir e nas ruas de cidades de todo o país", disse Robert Gibbs, secretário de imprensa da Casa Branca. "Está claro que declarações como essa não serão aceitas pelo povo do Egito, porque não tratam das queixas legítimas que vimos expressas como resultado desses protestos", disse Gibbs.

Não está claro, no entanto, o grau de negociação que o presidente Barack Obama terá de manter com Suleiman enquanto o país caminha para uma mudança fundamental, especialmente porque as autoridades egípcias começam a retomar o controle.

Oficiais do governo dizem que, nos últimos dias, o vice-presidente americano, Joe Biden, pressionou Suleiman a fornecer projetos claros de reformas democráticas ligados a um calendário.

Mas entre os manifestantes e grupos de oposição no Egito, há profundo ceticismo de que Washington está exigindo o suficiente de Suleiman.

*Por Helene Cooper e David E. Sanger

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