No cinturão dos grãos da Argentina, fazendeiros se revoltam contra impostos

WENCESLAO ESCALANTE, Argentina ¿ Quando o governo decidiu no último mês de março elevar os impostos sobre os lucros de produtores, uma revolta rural eclodiu na Argentina. Durante três semanas, agricultores enfurecidos bloquearam várias rodovias federais do país, paralisando o comércio de grãos e carne, o que levou a uma falta de alimentos.

The New York Times |

Desde então, o governo argentino tenta acalmar as tensões entre os fazendeiros na mesa de negociações. Produtores como Marcelo e Pablo Marchetti, irmãos neste rico cinturão de grãos localizado a oeste da capital Buenos Aires, dizem que o diálogo não chega a qualquer solução e que agora é mais evidente que a presidente Cristina Fernandez de Kirchner, no comendo há apenas dois meses, não compreende as reais demandas da questão.

Uma vez que o prazo final para as negociações expira na sexta-feira, eles se preparam para retomar a greve de exportação de grãos. Alguns produtores espontaneamente já bloquearam algumas estradas durante os últimos dias.

Eles não querem nos ouvir, disse Pablo Marchetti, de 40 anos, cujo bisavô italiano fundou esta pequena cidade há um século. A curto prazo, eu não os vejo procurando uma solução lógica para o problema como um todo.

Os produtores dizem que estão preocupados não apenas com o lucro, apesar do aumento nas taxas tê-lo afetado diretamente. Eles ainda dizem que as políticas de Kirchner ameaçam reverter um dos maiores crescimentos da história da agricultura argentina, além de destruir uma revolução tecnológica e empresarial que fez do país um líder de estoque de alimentos, num mundo assolado pela fome e alta do preço dos alimentos.

Temos uma enorme oportunidade histórica de crescer enquanto um país, mas o governo quer punir um setor que deveria continuar a ser a locomotiva deste desenvolvimento, disse Marcelo Marchetti, de 39 anos. O mundo abriu as portas para nós, e aqui estamos brigando entre nós mesmos.

De acordo com residentes, as tensões entre agricultores explodiram com uma ferocidade jamais vista aqui, em parte devido às novas taxas que machucaram diretamente o nervo de uma nação onde governos anteriores se utilizaram do setor agrícola para redistribuir o capital para os pobres.

As políticas de Kirchner reacenderam memórias do general Juan Domingo Peron, que no início dos anos 50 se aproveitou dos lucros das exportações para industrializar o país e combater a pobreza. Em uma tentativa de verificar a inflação que economistas independentes estimam em aproximadamente 20%, Kirchner também se voltou para os lucros do agronegócio e controles alfandegários para aumentar o subsídio para os pobres e para a oferta de alimentos dentro do país.

- Alexei Barrionuevo

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