Níger sente impacto de migrantes que abandonaram empregos na Líbia

Milhares de nigerinos tiveram que abandonar país árabe após queda de Kadafi e voltar para universo precário do país de origem

The New York Times |

Para milhares de nascidos no Níger, a queda de Muamar Kadafi foi uma catástrofe financeira que os obrigou a abandonar repentinamente bons salários que ganhavam na Líbia e voltar para o universo precário de seu país de origem, uma das nações mais pobres do planeta.

NYT
Trabalhadores do Níger deixam a Líbia em navio no porto de Misrata

Mais de 200 mil nigerinos fugiram dos combates que assolam a Líbia desde março atravessando o deserto de acordo com as autoridades. Lá, eles ganhavam muito dinheiro em empregos como alfaiates, seguranças, cozinheiros e motoristas.

A maioria dos que fugiu agora está na miséria, com fome e passando necessidades ao lado de milhares de famílias que dependiam das remessas de dinheiro vindas da Líbia. Estão, agora, sem perspectivas.

Oficiais estimam que pelo menos 200 nigerinos retornam diariamente - provavelmente mais, uma vez que muitos passam despercebidos pelo deserto. O governo admite que não tem recursos para ajudá-los e está contando com doações externas para solucionar o problema.

Até junho, a migração forçada abriu um rombo de US$ 80 milhões na economia do Níger, segundo o governo. Desde então, esse número cresceu e se tornou desastroso para um país que o Banco Mundial acredita ter mais de 60% da população abaixo da linha da pobreza, onde a fome é contínua quando as chuvas não chegam e onde metade do orçamento nacional de anos anteriores veio de doadores.

Pela oportunidade de ganhar dez vezes mais do que ganhariam no Níger, os africanos acreditavam que valia a pena sofre o preconceito em um país árabe.

"Essa é uma situação que fala à consciência, precisamos de US$ 60 milhões", disse Abdelkader Agaly, vice-chefe de gabinete do primeiro-ministro. "Os US$ 2 milhões que distribuímos não representaram absolutamente nada."

Alguns sacos de grãos também foram distribuídos - vários presentes no centro de ajuda de Niamey reclamaram que quando chegaram lá já não havia mais nada - e os preços de produtos básicos foram cortados. Mas Agaly sugeriu que isso era apenas uma gota no oceano: "O que nós fizemos, é sem dúvida muito pouco".

Agaly tem um aviso para o Ocidente: os milhares de jovens sem esperança que agora retornam ao seu país podem representar um alvo tentador de recrutamento em uma região onde existe o que ele chamou de "forças do mal" - a Al-Qaeda do Norte da África, por exemplo.

Por Adam Nossiter

    Leia tudo sobre: líbiakadafinígerpobrezaemprego

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG