Nenhuma morte no acidente da US Airways, mas e as malas?

Quando o voo US Airways 1549 aterrissou no rio Hudson no mês passado, deu ao engenheiro William Wiley um novo significado para a expressão computador quebrado.

The New York Times |

Wiley estava a caminho de casa em Johnson, Tennesse, vindo do quartel-general da companhia que trabalha em Long Island. Ele tinha anos de trabalho armazenados em seu laptop, mas tudo cuidadosamente copiado em outro laptop. O problema é que os dois estavam com ele no avião.

Avião caiu poucos minutos após decolar no aeroporto de La Guardia
Avião caiu poucos minutos após decolar no aeroporto de La Guardia

Agora os dois laptops estão entre os cerca de 50 mil itens de passageiros que uma companhia de recuperação tem mantido congelados em caminhões refrigerados para preservação, até que possam ser secos, limpos e devolvidos a seus donos. O trabalho inclui a recuperação dos dados dos computadores de Wiley.

"Eles provavelmente irão recuperar tudo", ele disse, com otimismo em sua voz, apesar da US Airways ter afirmado que ainda é muito cedo para saber. Wiley afirmou que o valor dos dados é de US$30,000. A companhia já deu US$5,000 para cada passageiro do voo.

Seus colegas de voo ("sobreviventes" não seria um termo correto uma vez que nenhum dos passageiros morreu) estão otimistas em relação a receberem de volta uma grande variedade de artigos pessoais, alguns da mala de mão e outros da cabine de bagagem.

Nick Gamache, de Raleigh, Carolina do Norte, espera ver sua camiseta pólo azul que sua avó lhe deu no Natal de 2002, pouco antes de morrer. "Se eu receber essa camiseta de volta vou usá-la sempre", disse Gamache, 32, que trabalha com venda de softwares.

Mas Brad Wentzell, de Charlotte, Carolina do Norte, desistiu das roupas. "Nenhuma camisa irá sobreviver a tudo aquilo", ele disse.
As roupas são compõem a parte menos importante das bagagens dos passageiros. Gamache também perdeu um laptop e as chaves de dois carros, uma delas automática, cuja substituição custa US$400.

"Karma, certo?", ele questiona. "Eu acabei de sobreviver a um acidente aéreo.

James McDonald, de Charlotte, disse que gostaria de ter alguns itens de volta, mas não pretende usá-los e sim enquadrá-los.


Passageiros sobreviveram. Mas e as malas?  / AP

"Alguma coisa para pendurar na parede, com os artigos de jornal e as fotos", ele disse. "Seja a foto dos meus filhos que ainda está intacta. O recibo do hotel da noite anterior. Coisas enrugadas e amassadas".

E as roupas que usava no momento do acidente? "Eu não vou usar aquelas roupas nunca mais", ele disse.

Os passageiros saíram do avião com a roupa do corpo e nada mais. Ninguém tentou carregar nada a bordo dos botes de resgate, afirmou Wiley. "Eu acho que haveria briga se alguém tentasse isso", ele disse.

Wiley disse que depois que a companhia os levou ao hotel Crowne Plaza em La Guardia e lhes deu de comer, ele foi para seu quarto e percebeu que não tinha escova de dentes. O hotel lhe deu uma. Depois ele quis ouvir música antes de dormir e percebeu que seu iPod estava no avião.

Os investigadores estão interessados nestes itens, e em tudo que foi recuperado, por causa de seu peso, afirmou Peter Knudson, porta-voz da Junta Nacional de Segurança no Transporte. Tudo foi pesado, ele disse, mas ainda molhado. Os materiais serão pesados novamente depois de secos para que os investigadores possam determinar o peso do avião e seu equilíbrio no ar.

A companhia contratou uma empresa especializada no gerenciamento de materiais pessoais, a Douglass Co. A empresa é mais conhecida entre as companhias aéreas como Douglass Coordenadores de Funerais de Desastres Aéreos. Baseada em Los Angeles, a companhia lidou com mais de duas dezenas de acidentes, a maioria dos quais sem sobreviventes. Geralmente os itens pessoais são devolvidos a parentes das vítimas.

O porta-voz da US Airways, James T. Olson, disse que a companhia não irá informar onde a restauração está sendo realizada "por motivos de segurança". Ele afirmou que o processo deve levar oito semanas.

Os laptops estão recebendo o mesmo tratamento da "caixa preta" de um avião, quando recuperada da água: inicialmente, eles são mantidos imersos, porque quando são removidos da água começam a corroer. "A companhia com a qual trabalhamos já obteve sucesso anteriormente na recuperação de dados de itens submersos na água", disse Olson.

Olson descreveu os US$ 5.000 pagos aos passageiros como uma "compensação inicial", com demais pedidos de ressarcimento sendo resolvidos caso a caso posteriormente.

- MATTHEW L. WALD e MICHAEL WILSON

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