Navios e ativistas desafiam bloqueio a Gaza

Israel promete impedir que frota com mantimentos chegue a território palestino sob bloqueio desde ascensão do Hamas, em 2007

The New York Times |

Israel se prepara para a chegada de uma frota de até nove navios transportando centenas de ativistas favoráveis aos palestinos e milhares de toneladas de suprimentos a caminho da Faixa de Gaza, o enclave costeiro governado pela milícia islâmica do Hamas.

Essa é a tentativa mais ambiciosa de romper o bloqueio marítimo do Estado de Israel à Faixa de Gaza até o momento. A frota de navios de carga e passageiros, liderada pelo Movimento Gaza Livre e pela organização turca Insani Yardim Vakfi, reuniu-se em alto-mar após partir de diversos países ao longo dos últimos dez dias.

AP
Polícia naval na Cidade de Gaza se prepara para chegada de frota com ativistas e suprimentos

Israel, que afirma permitir a entrada de materiais básicos a Gaza por meio de pontos ao longo da fronteira terrestre, denunciou a frota como uma provocação política e prometeu que não deixará que os barcos cheguem a seu destino. Em vez disso, o governo israelense pediu que a frota seja encaminhada para o porto de Ashdod,em Israel.

Gaza sofre um bloqueio imposto por Israel e Egito desde que o Hamas, grupo militante islâmico que não reconhece o direito de existência de Israel, tomou o território à força em 2007. Israel, Estados Unidos e União Europeia classificam o Hamas como uma organização terrorista.

Os ativistas afirmam que os barcos, que devem chegar à costa durante o final de semana, carregam 10 mil toneladas de materiais que incluem cimento, material escolar e equipamentos médicos para facilitar a difícil vida na Faixa de Gaza.

O major general Eitan Dangot, principal ligação militar de Israel com os territórios controlados por palestinos, disse que a política de Israel é muito clara. Informando um grupo de repórteres estrangeiros em Tel Aviv esta semana, ele disse que Israel ofereceu aos ativistas a possibilidade de descarregar o material em Ashdod.

Segundo ele, Israel estaria disposto a transferir o material para a Faixa de Gaza após inspeção. Mas ele acrescentou: "Não permitiremos que navios aportem em Gaza enquanto o Hamas estiver no controle."

Em uma declaração emitida pelo Ministério de Assuntos Externos israelita esta semana, Sarah Maudi Weiss, especialista do ministério em Segurança Marítima e Direito Humanitário, disse que o bloqueio marítimo existe "porque Israel atualmente se encontra em estado de conflito armado com o regime do Hamas" em Gaza.

O Hamas, ela continuou, "bombardeou repetidamente alvos civis em Israel com armas que são contrabandeadas para a Faixa de Gaza por várias vias, incluindo o mar".

Israel está preparado para interceptar os barcos e desviá-los, se necessário, a Ashdod. Grandes tendas e outras instalações foram estabelecidas no porto para receber os ativistas, que chegam a 800 pessoas e incluem autoridades oficiais.

* Por Isabel Kershner

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