Nasa recria espaço a 20 metros de profundidade

Enquanto viagem à Lua não acontece, estação espacial americana envia astronautas ao fundo do mar

The New York Times |

Astronautas não serão enviados à Lua ou Marte pelos Estados Unidos durante pelo menos uma década, mas a 20 metros de profundidade eles ainda podem ter uma ideia de como seria deixar o planeta.

Na segunda-feira, uma tripulação de seis astronautas, incluindo dois veteranos, desceu a Aquarius, um laboratório submarino perto de um coral a cerca de quatro quilômetros de Key Largo, Flórida.

Esta é a 14ª missão de um programa que já tem 9 anos e é conhecido como Operações de Missão em Ambiente Extremo da Nasa (Neemo, na sigla em inglês).

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Imagem de 2007 mostra astronautas japoneses que participaram do programa Neemo

Durante suas duas semanas no laboratório, os aquanautas passam por simulações de caminhadas no espaço, operam pequenos guindastes e realizam outras tarefas que astronautas teriam de enfrentar na criação de um habitat em outro planeta.

"O principal objetivo se baseia em engenharia, testes e operações que seriam necessárias para a exploração planetária", disse William Todd, gerente de projetos da missão 14 da Neemo. (Aparentemente a mancha de petróleo no Golfo do México não irá afetar o projeto).

Partes da missão parecem estranhamente desatualizadas, dado o atual tumulto que cerca o programa de viagens tripuladas da Nasa. Um dos testes envolve o protótipo de um veículo lunar, que pode nunca ser construído porque a gestão Obama propôs interromper o envio de novos astronautas à Lua.

Mas Todd afirma que as tarefas são mais importantes do que os pormenores de uma simulação. Os integrantes da tripulação usam o protótipo para testar procedimentos de transferência de um colega ferido para dentro do veículo, por exemplo.

Com a adaptação do dinamismo das roupas de mergulho, os aquanautas podem sentir como se caminhassem na gravidade de um sexto da Lua ou um oitavo de Marte.

Durante metade da missão, existe uma diferença de 20 minutos nas comunicações com a base de controladores na superfície. Isso imita o atraso na transmissão entre Terra e Marte.

Conforme os aquanautas do Neemo praticam para o que o futuro possa lhes trazer, o presente da Nasa continua a se desenrolar na superfície. Na quarta-feira, o Comitê de Comércio, Ciência e Transportes do Senado irá realizar uma audiência sobre o futuro do programa de viagens espaciais tripuladas.

O plano do governo não obteve muito apoio no Congresso, mas tampouco muitos legisladores vieram em defesa do Constellation. Neil A. Armstrong, o primeiro homem a andar na lua, irá testemunhar contra a proposta de Obama.

Na sexta feira, o ônibus espacial Atlantis terá seu último lançamento do Centro Espacial Kennedy para uma missão de 12 dias à Estação Espacial Internacional, onde irá substituir as baterias de um painel solar, instalar uma antena reserva e anexar um módulo de provisões russo.

Após a missão do Atlantis, os outros dois ônibus - Discovery e Endeavour - farão mais um voo cada e então serão aposentados.

Por Kenneth Chang

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