Nas ruas do Cairo, uma batalha pelo futuro mundo árabe

Árabes parecem estar de olho no Egito em busca de liderança, em meio a revoltas populares pedindo reformas

The New York Times |

O futuro do mundo árabe, agora entre a revolta e o desprezo por uma ordem em colapso, foi disputado nas ruas do Cairo na quarta-feira.

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Manifestantes contrários ao governo tentam se proteger com escudos improvisados durante choques com partidários de Hosni Mubarak (3/2/2011)
Dezenas de milhares de manifestantes que reimaginaram a própria noção de cidadania em uma tumultuada semana de desafios proclamaram com paus, bombas caseiras e uma chuva de pedras que não renderiam a sua revolução nem mesmo a todo o peso de um governo autoritário, que respondeu aos seus pedidos de mudança com violência.

O mundo árabe assistiu a um momento que sugeriu que nunca mais será o mesmo – e esperou para ver se o protesto ou a repressão sairia vitoriosa. Palavras como revolta e revolução apenas sugerem a dimensão dos eventos no Egito, que já repercutiu em lugares como Iêmen, Jordânia, Síria e até mesmo Arábia Saudita, oferecendo um novo modelo para mudança em uma região que por muito tempo cambaleou na sua própria estagnação.

Por anos, especialistas previram que os islâmicos seriam a força que derrubaria governos em todo o mundo árabe. Mas, até agora, foram confrontados por uma demonstração de dissenso popular que mantém uma mensagem de união, ainda que fugaz – em si mesma uma mudança radical no panorama político da região. No amplo panorama da Praça Tahrir, na quarta-feira, os egípcios estavam posicionados em barricadas improvisadas, desmentindo qualquer menção de menosprezo ao poder das ruas árabes.

"A rua já não tem medo dos governos", disse Shawki Al-Qadi, um legislador da oposição no Iêmen. "É o contrário. Os governos e suas forças de segurança estão com medo do povo agora. A nova geração, a geração da internet, é destemida. Eles querem seus direitos, e querem a vida, uma vida digna".

Poder

O poder da manifestação de quarta-feira é que transformou essas abstrações em realidade. De uma cobertura minuto a minuto nos canais de língua árabe até conversas do Iraque ao Marrocos, o Oriente Médio assistiu sem fôlego o momento mais convincente que qualquer outro no mundo árabe em uma vida. Pela primeira vez em uma geração, os árabes parecem estar olhando para o Egito de novo em busca de liderança e essa sensação de destino foi percebida durante todo o dia.

"Eu digo ao mundo árabe para ficar conosco até conquistarmos a nossa liberdade", disse Khaled Yusuf, um clérigo de Al Azhar, instituição de ensino religioso antes estimada e que agora é controlada pelo governo egípcio. "Quando o fizermos, iremos libertar o mundo árabe".

*Por Anthony Shadid

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