Não há evidências de mudanças na migração nos EUA

Embora os EUA estejam enfrentando a pior situação econômica em décadas, e uma redução no crescimento da população nascida no exterior, não há muitas evidências de que a migração acompanhou a recessão, disseram pesquisadores do Instituto de Política de Migração em um relatório divulgado nesta quarta-feira, 14.

The New York Times |

Uma evidência peculiar lembra que nos últimos dois anos mais imigrantes ¿ legais e ilegais ¿ do que o normal deixaram os EUA para voltar a seus países de origem, mostrou o relatório. Mas não existem dados para verificar tal tendência, de acordo com o instituto, uma organização de pesquisa não-partidária.

Uma volta significante de imigrantes não-autorizados a seus países não acontecerá a menos que haja uma piora severa e prolongada na economia dos EUA, disse Demetrios G. Papademetriou, presidente do instituto e co-autor do relatório, que traça padrões históricos, estudos demográficos e especulações intelectuais.

Ao invés de deixar o país, imigrantes ilegais parecem querer se mudar de Estado em Estado para procurar trabalho, mais do que os próprios nativos ou imigrantes legais, disse Papademetriou. Ele disse, por exemplo, que as reclamações de falta de mão-de-obra agrícola se acalmaram, em parte porque alguns imigrantes previamente absorvidos pela alta nos trabalhos em construções voltaram para o trabalho rural.

Imigrantes ilegais

Os dados anuais sobre emigração são, na melhor das hipóteses, insuficientes. Em 1957, o governo abandonou os esforços para traçar o caminho dos imigrantes que estão deixando o país. Mas mesmo para imigrantes não autorizados, cuja circulação reflete mais a situação econômica dos EUA do que a de imigrantes legais ou daqueles que buscam asilo, a decisão de voltar para casa costuma ser o último refúgio, de acordo com o relatório.

Os maus tempos nos EUA também estão atrapalhando as economias dos países de origem, e a atual oscilação da moeda tornou o pagamento em dólar mais valorizado, especialmente no México e na América Central. E, diferentemente dos trabalhadores do leste europeu na Grã-Bretanha e na Irlanda, que voltaram para casa por saberem que podem retornar facilmente caso a situação mude, os imigrantes latino-americanos nos EUA enfrentam barreiras crescentes para entrar novamente no país.

Alguns efeitos da crise econômica são duros de desprender daqueles de aplicações mais restritas, acrescentaram os pesquisadores, citando que incursões adiantadas e níveis recordes de deportação ¿ cerca de 361 mil no fim do mês de setembro do ano passado, quase o dobro dos números de 2005.

Circulação entre Estados

Mas, embora evidências peculiares lembrem que não cidadãos estão deixando Estados que estão decretaram leis mais rígidas com a intenção de conter a imigração ilegal, de acordo com o relatório, ao menos inicialmente, os destinos dessas pessoas costumam ser dentro dos EUA.

Ainda, Papademetriou acrescentou em uma entrevista: Tudo depende de quão profunda e quão longa seja a recessão. As pessoas podem tentar ajustar suas expectativas, aceitar trabalhos por um salário menor. Mas chega uma decisão final onde você diz: se isso vai continuar tão ruim quanto parece, será que posso sobreviver? Ou posso sobreviver melhor voltando para casa?

O relatório citou um grande corpo de evidência de que o crescimento histórico de estrangeiros nascidos nos EUA diminuiu, principalmente porque não houve crescimento na população de imigrantes ilegais desde 2006 ¿ como foi informado em meados de setembro do ano passado por Jeffrey S. Passel, demógrafo do Pew Hispanic Center.

Entradas

Em uma entrevista, Passel concordou que apesar de as partidas terem aumentado de alguma forma, a pausa no crescimento da população ilegal é devido ao declínio nas entradas no país.

Com o tempo, de 20% a 40% dos imigrantes dos EUA voltaram para seu país de origem, disse. Mas, mesmo na Grande Depressão, acrescentou, quando mais pessoas partiram do que chegaram, aquele desvio histórico foi direcionado por uma queda excessiva na imigração, e não por qualquer queda no número de partidas do país.

Por NINA BERNSTEIN

Leia mais sobre imigração

    Leia tudo sobre: imigração

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG