Nações emergentes exigem mais voz na solução da crise financeira

SÃO PAULO, Brasil - Os ministros e banqueiros do Grupo dos 20 se encontraram aqui no final de semana para preparar o terreno para o crítico encontro de líderes mundiais em Washington no sábado, que busca resolver a crise financeira global.

The New York Times |

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Mas o encontro de três dias do G-20 também revelou o profundo desejo dos países em desenvolvimento, incluindo o anfitrião Brasil, de terem mais voz na resolução da questão que busca tirar o mundo da crise.

O G-20 afirmou que trabalhará junto para apoiar o crescimento
econômico e promover a estabilidade financeira, e elogiou os países
que têm tomado medidas 'ousadas e decisivas', como a China, que
afirmou no domingo que irá investir quatro trilhões de yuan, ou cerca
de US$586 bilhões, em um pacote de estímulo econômico.

AP

Lula entre Guido Mantega (E) e  Henrique Meirelles (D)

Ainda assim, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, e seu
ministro financeiro, Guido Mantega, culparam os Estados Unidos e
outros países em desenvolvimento por disseminar a crise a todos os
cantos do planeta.

"Nenhum país está a salvo da crise financeira", disse Lula no sábado.
"Todos foram infectados por problemas que surgiram em países
desenvolvidos".

Lula e Mantega tentaram estabelecer o papel do G-20 nas discussões
tipicamente dominadas pelo grupo das nações desenvolvidas conhecido
como G-7 (Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e
Estados Unidos). O G-20, formado após a crise financeira dos Tigres
Asiáticos no final dos anos 1990, é composto pelo G-7 e outros 13
países em desenvolvimento.

Bric

Entre os 13 estão os países "Bric", um grupo que reúne os países em
rápido desenvolvimento (Brasil, Rússia, Índia e China) que buscam
maior representatividade do seu papel na economia global.

Os ministros financeiros dos países Bric se encontraram aqui na
sexta-feira, em sua primeira reunião. Sua própria declaração
ressaltava a "significativa resistência" mostrada pelos países do
Bric, a necessidade de "restaurar o acesso ao crédito da economia
real" e a importância de prevenir o protecionismo diante de uma crise
mundial.

Dominique Strauss-Kahn, chefe do Fundo Monetário Internacional, disse
que a previsão econômica para o próximo ano atesta que todo o
crescimento do mundo virá dos países em desenvolvimento e de baixa
renda. "Então é apenas justo observar este crescimento e tentar
apoiá-lo porque é o único que teremos", ele disse.

Como consequência, "a voz dos países emergentes será mais ouvida do
que em outras situações".

Por ALEXEI BARRIONUEVO

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