Nações criticam Mianmar pelo julgamento de líder pró-democracia

BANGCOC ¿ Com o aumento do número de protestos em todo o mundo, o julgamento da líder a favor da democracia de Mianmar, Daw Aung San Suu Kyi, continua pelo segundo dia, desde esta terça-feira, com o governo investigando acusações que poderiam transformar sua prisão domiciliar em uma dura sentença de prisão.

The New York Times |


Centenas de policiais, alguns completamente ligados às manifestações, fecharam estradas que levam à prisão de Insein, onde o julgamento acontece, e um pequeno número de manifestantes se juntou em uma rua ao lado de fora de uma cerca de arame farpado, de acordo com relatos da cena por agências de notícias e grupos exilados.

Analistas dizem que o caso contra Aung Suu Kyi, 63, pretende, por meio de pretextos legais, estender sua prisão domiciliar, que, caso contrário, expiraria no fim deste mês. Mianmar planeja impedir as eleições gerais no começo do próximo ano, para manter o controle dos militares sob a suposta administração civil.

Aung San Suu Kyi é acusada de receber um visitante não autorizado, um intruso americano, John Yettaw, que atravessou um lago a nado, no começo deste mês, e entrou no complexo onde ela esteve detida em prisão domiciliar por 13 dos últimos 19 anos.

Seus advogados dizem que ela não teve participação na invasão e pediu para que ele saísse, mas o deixou ficar por uma noite quando o invasor alegou exaustão e cãibras na perna. Suas duas empregadas estão sendo julgadas por acusações semelhantes, que poderiam dar-lhes sentenças de mais de cinco anos de prisão.

Yettaw, que também é réu no tribunal, pode ser sentenciado até seis anos de prisão por violação de segurança e leis de imigração.

Em Washington, um porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, disse que as acusações contra Aung San Suu Kyi eram infundadas e pediu sua libertação, junto com cerca de mais 2.100 prisioneiros politicos. Na semana passada, em resposta à sua prisão, os EUA estendeu duras sanções econômicas contra a junta militar do poder, embora o governo dos EUA tenha dito que estava reavaliando a efetividade dessa política.

Outras críticas vieram de outros lugares do mundo, incluindo da ONU e da União Europeia (UE). Infringindo uma política de intromissão construtiva, vizinhos do sul asiático de Mianmar lançaram um relatório, no fim desta segunda-feira, expressando grande preocupação com a prisão de Aung San Suu Kyi e dizendo que a honra e credibilidade do governo de Mianmar está em jogo.

O relato, divulgado pela Associação das Nações do Sul Asiático, ou ASEAN, diz: o governo da União de Mianmar, como membro responsável da ASEAN, tem a responsabilidade de proteger e promover os direitos humanos. É por isso que pedimos providências convenientes e cuidados médicos adequados para Daw Aung San Suu Kyi, como também a concessão de tratamento humano com dignidade.

Os membros da ASEAN são Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã. Também nesta segunda, o nono Prêmio Nobel da Paz condenou a prisão da líder, que ganhou o prêmio em 1991. Estamos indignados com as ações deploráveis da junta militar contra Suu Kyi e incentivamos fortemente a contestação dessa agressão de nossa colega honrada com o Nobel, disseram os ganhadores do prêmio em uma declaração.


Por SETH MYDANS

Assista ao vídeo:

Leia também:


Leia mais sobre Mianmar

    Leia tudo sobre: mianmar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG