Na Somália, terroristas usam Twitter como arma de combate

Enquanto travam batalha 'tradicional' no empobrecido país, militantes do Al-Shabab usam rede social como forma de propaganda

The New York Times |

Os poderosos insurgentes islâmicos da Somália, pertencentes ao grupo Al-Shabab e acusados de cortar fora as mãos de seus inimigos e fazer seu próprio povo passar fome, abriram uma conta no Twitter.

Na semana passada eles publicaram uma série de “tweets” sobre seus mais recentes ataques e falaram mal de seus inimigos. Uma ação um pouco inusitada por parte de militantes brutais que atuam em um dos países mais pobres do mundo, onde milhões de pessoas não têm comida suficiente, muito menos um laptop para usar redes sociais.

O Al-Shabab tem rejeitado com veemência práticas ocidentais e, de repente, resolve abraçar a ideia do Twitter, um dos ícones de uma sociedade moderna e interconectada.

Além disso, o Al-Shabab claramente está muito ocupado tendo que lidar com tropas pacificadoras da União Africana, militares quenianos, forças armadas etíopes e, ocasionalmente, ataques de aviões não tripulados dos Estados Unidos.

Mas especialistas dizem que o Twitter é parte de uma tendência emergente no terrorismo e que várias outras franquias da Al-Qaeda fazem uso de ferramentas de mídia social há alguns anos.

"A mídia social tem ajudado grupos de terroristas a recrutar indivíduos, arrecadar fundos e distribuir sua propaganda de forma mais eficiente do que faziam no passado", disse Seth G. Jones, um cientista político da RAND Corp.

Para o Al-Shabab, isso muitas vezes significa simplesmente publicar comentários como: "A Europa estava nas trevas quando o Islã fez avanços na física, matemática, astronomia, arquitetura, etc.", além de críticas sarcásticas ao Exército queniano.

O porta-voz militar do Quênia, o major Emmanuel Chirchir também mantém uma conta no Twitter e isso resulta em uma verdadeira guerra virtual.

É impossível saber quem exatamente está operando a conta do Twitter, a @HSMPress, uma abreviação de Harakat al-Shabab al-Mujahedin, ou o Movimento da Juventude do Santo Guerreiro, nome completo do Al-Shabab. No entanto, a União Africana e autoridades ocidentais disseram que a conta é legítima.

A conta de Twitter está vinculada a um e-mail operado pela assessoria de imprensa do Al-Shabab, que rotineiramente fornece informações detalhadas - embora parciais - sobre o combate permanente entre o grupo e as forças de paz da União Africana.

O homem por trás do email - e, possivelmente, das publicações no Twitter - se chama Sheik Yoonis. Ele respondeu a perguntas feitas por escrito pelo The New York Times e, durante algumas raras entrevistas por telefone, falou com um sotaque britânico forte.

Está claro que ao publicar comentários escritos em inglês, o Al-Shabab está tentando apelar para quem mora fora da Somália.

Por Jeffrey Gettleman

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