Na Somália, insurgentes apitam contra fãs de futebol

Grupos islâmicos prendem moradores de região ao sul de Mogadíscio por assistirem jogos da Copa do Mundo

The New York Times |

No momento em que a África do Sul orgulhosamente realiza a primeira Copa do Mundo do continente africano, um grupo de insurgentes da Somália, o Hizbul Islam, prendeu dezenas de torcedores por assistirem ao torneio nos últimos dias ao sul da capital do país, disseram moradores da região.

"Eles prenderam 25 pessoas nas noites de sábado e domingo por assistirem aos jogos da Copa do Mundo em suas casas", disse Abdulle Mayow, morador de Afgooye. "Eles ainda estão na prisão. Estamos muito assustados".

Em algumas áreas controladas pelos rebeldes, os fãs de futebol da Somália, conscientes das ameaças dos insurgentes, são obrigados a assistir aos jogos de forma clandestina, utilizando antenas parabólicas improvisadas ou sintonizando televisões FM locais. "É realmente horrível, você já não pode fazer nada na sua própria casa", disse Mayow.

© AP
Fãs de futebol assistem partida entre África do Sul e México em Mogadíscio, na Somália (12/06)

Novos relatos de que duas pessoas foram mortas por violar a proibição dos insurgentes em assistir jogos de futebol não puderam ser verificadas de maneira independente, mas o Ministério da Informação da Somália denunciou as restrições rebeldes, dizendo: "O povo da Somália deve poder assistir à Copa do Mundo".

Ao contrário das áreas controladas pelos rebeldes, salas de cinemas foram abertas no território controlado pelo governo para exibir os jogos de futebol a um preço muito baixo.

Alguns analistas dizem que os insurgentes podem estar particularmente motivados a proibir que os somalianos joguem ou assistam ao jogo porque isso poderia desviar os recrutas jovens das milícias da linha de frente da batalha.

Outras práticas da vida cotidiana também foram consideradas não-islâmicas por grupos insurgentes e, portanto, proibidas. O Al-Shabab, o mais poderoso grupo islâmico insurgente da Somália, proibiu os sinais tocados entre aulas nas escolas de uma cidade do sul em abril depois de decidir que eles pareciam sinos de igreja.

Da mesma forma, o Hizbul Islam advertiu recentemente que as estações de rádio parassem de tocar música ou iriam enfrentar "sérias consequências", forçando-as a introduzir seus programas diários com uma estranha variedade de sons: barulhos de motor, buzinas de carro, ruídos de animais e o som de água fluindo.

O Al-Shabab e o Hizbul Islam já haviam proibido jogos de futebol, sutiãs e formas de entretenimento como assistir jogos de futebol e filmes.

Os insurgentes lançaram uma granada em um cinema lotado e mataram quatro pessoas em Merka, a cerca de 55 quilômetros de Mogadíscio, em 2008, aparentemente numa tentativa de fechar a sala.

Por Mohammed Ibrahim

    Leia tudo sobre: somáliacopa do mundoáfrica

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG