Na sala de parto, o fim do jejum

Há muito tempo as maternidades proíbem que mulheres em trabalho de parto comam ou bebam. Mesmo quando o parto se prolonga por horas e horas, a mulheres podem consumir apenas alguns cubos de gelo para aliviar o estresse.

The New York Times |

Agora, uma revisão sistemática de estudos existentes não encontrou evidência de que as restrições tenham qualquer benefício para a maioria das mulheres saudáveis e seus bebês.

As restrições buscam minimizar os riscos da síndrome de Mendelson (batizada em homenagem a Dr. Curtis L. Mendelson, obstetra de Nova York que descreveu o problema pela primeira vez nos anos 1940), que pode acontecer se os conteúdos do estômago forem sugados para os pulmões enquanto um paciente está sob o efeito da anestesia geral.

Ainda que rara, a síndrome pode ser fatal. Mas hoje em dia o uso da anestesia geral durante o parto é algo raro. Cesarianas geralmente usam anestesia local.

"Na minha opinião, se esse fosse o caso teríamos que proibir as pessoas de comer ou beber antes de entrar em um carro, caso haja um acidente e a anestesia geral seja necessária," disse Dr. Marcie Richardson, obstetra e ginecologista do grupo Médicos Associados da Harvard Vanguard, de Boston, que esteve envolvida no novo estudo.

Joan Tranmer, professora da Universidade Queens em Kingston, Ontário, e autora da revisão, disse ter visto inúmeras mulheres em trabalho de parto reclamarem de sede e boca seca. "Nós achamos que chegou a hora de questionar isso," ela disse.

Os estudos analisados para a revisão, publicada no ano passado pela Cochrane Collaboration, observaram mulheres em trabalho de parto que tinham pouco risco de precisar de anestesia geral.

Um deles comparou a restrição completa de alimentos líquidos e sólidos com a liberdade completa de se comer e beber; outros dois compararam a água com líquidos e alimentos; e dois compararam água com bebidas gaseificadas. Não houve diferença estatística significativas nos resultados de todas as revisões.

"Com a melhoria das técnicas de anestesia, nós já não usamos anestesia geral", disse Tranmer. "E mesmo quando ela é necessária, as técnicas melhoraram e os riscos são muito, muito pequenos. Então perguntamos: Há algum benefício no jejum? E descobrimos que não há benefícios ou danos."

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