Na Nova York de amanhã, táxis com buzinas mais harmoniosas

Depois de derrotar o tabaco em lugares fechados, próxima meta da administração Bloomberg é reduzir barulho na cidade

The New York Times |

O governo do prefeito Michael Bloomberg venceu o fumo em lugares fechados e a gordura trans. Sua última meta? Uma buzina mais amável e gentil para os táxis de Nova York.

A cidade anunciou na semana passada que os seu táxi do futuro, um Nissan NV200, será equipado com a mais recente tecnologia antibuzina: a chamada buzina sem atrito sonoro para reduzir o barulho na cidade.

Em suma, a cidade de Nova York quer construir uma buzina melhor – completa com uma luz exterior que acende sempre que o condutor utilizá-la, assim a polícia poderá localizar os violadores das frequentemente ignoradas leis contra buzinas.

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O motorista de táxi em Nova York Manpreet Singh é contrário à ideia de novas buzinas
A buzina, flagelo ensurdecedor da sinfonia urbana, é o equivalente fonético de atravessar a rua fora da faixa de pedestres: um crime que é constante nas grandes cidades e raramente punido.

Por lei, a buzina de um carro não deve ser utilizada nas ruas de Nova York, "exceto como sinal de perigo iminente", segundo a Seção 24-221 do código administrativo da cidade. A multa mínima é de US$ 350 e maior se houver um cartaz que proíbe o uso de buzinas na área.

Ainda de acordo com o Departamento de Polícia, meras 286 intimações foram emitidas no ano passado pelo uso incorreto de buzinas, 448 no ano anterior. "Essa é uma denúncia comum que recebemos no telefone 311 e em nossos e-mails: ‘os motoristas de táxi buzinam muito. Vocês não podem impedi-los?'", disse David S. Yassky, presidente da Comissão de Táxis da cidade, que recebeu 1.143 reclamações relacionadas com a buzina desde 2003.

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Mas como soa a nova buzina sem atrito sonoro? Parece que ninguém sabe ao certo. A Nissan, que deve entregar o novo táxi no final de 2013, não soube responder imediatamente, e até mesmo oficiais da Prefeitura tiveram problemas ao especificar o que querem. "Algo menos agudo", disse Yassky, quando solicitado a descrever a buzina ideal. "Menos nítida e irregular”.

O executivo da Nissan Joe Castelli disse que sua companhia poderá fazer o que for solicitado, mas advertiu que ninguém espere "o piar de um periquito ou algo parecido”. "Eu realmente não sei o que significa essa buzina sem atrito sonoro ainda", disse Castelli. "Mas a buzina poderá ser ajustada. Podemos ajustá-la de maneira que seja menos ofensiva".

A cidade espera receber várias amostras de sons de buzina da Nissan antes que concorde com o modelo definitivo.

A Nissan planeja realizar grupos focais com motoristas, proprietários de táxis e passageiros para determinar a buzina mais agradável, mas a empresa afirma que já tem algumas buzinas preparadas. "Algumas são mais altas do que outras, algumas têm sons únicos", disse David Reuter, porta-voz da Nissan. "Não é sempre o mesmo tom, nem sempre o mesmo impacto global".

A ideia de uma "luz para buzina", que irá iluminar o exterior da cabine, foi elaborada pela prefeitura. A Nissan comprometeu-se com a tecnologia, mas ainda tem de determinar a cor da luz ou onde ela será colocada no veículo.

Os taxistas dizem temer que a luz da buxina vai tornar sua vida mais difícil. Mas alguns afirmaram que gostariam de uma buzina menos barulhenta. "Vivemos em uma cidade, e se você não buzinar, as pessoas não vão sair do seu caminho", disse Manpreet Singh, 23 anos, enquanto comia um lanche rápido entre turnos. "Eu não acho que seja uma boa ideia diminuir o tom da buzina. Os turistas atravessam no farol verde e temos de buzinar".

Mas Assa Assa, 43 anos, que contou só utilizar a buzina cinco vezes por dia – "quando é necessário" – disse que poderia viver com uma menos estridente. "Se os pedestres ou outros motoristas podem me ouvir isso já é bom o suficiente", disse Assa enquanto dirigia pela Segunda Avenida. "Se eles não podem ouvir e eu tenho uma emergência, isso é um problema".

No ponto de táxi Punjabi Express, dois taxistas, terminando o almoço, tinham uma opinião mais filosófica. "Se esse táxi for aprovado, então está tudo bem", disse Subash Saha, 47 anos, do Queens. Seu amigo, Zahidul Islam, 35 anos, sorriu e deu de ombros. "Somos apenas motoristas", disse. "Não podemos fazer nada. Nós não podemos resolver esses problemas”.

*Por Michael M. Grynbaum

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