Na liderança, iraquianos esperam que comandos americanos permaneçam

Agentes das forças de operações especiais tomam o controle das missões contra insurgência no Iraque com cautela e temor

The New York Times |

Na escuridão e vestidos de preto, os agentes das forças de Operações Especiais dos Estados Unidos e Iraque atravessaram um bairro urbano denso em Bagdá e se aproximaram de uma casa que acreditavam ser o esconderijo de dois irmãos suspeitos de realizar assassinatos e ataques com carros-bomba. Quando os iraquianos bateram à porta, o som de vidro quebrado e gritos perfuraram o silêncio noturno.

Os americanos, depois de terem passado anos na liderança de tais missões, esperaram até que a casa estivesse segura. O importante, disse um sargento dos Estados Unidos depois da conclusão do ataque, é que os iraquianos tomaram a liderança nessa missão.

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Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos e Iraque fazem operação em missão conjunta no oeste de Bagdá
Ele falou sob a condição de que seja identificado apenas por sua classificação para cumprir as regras do jogo que permitem o acesso de um repórter a unidades de Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos. "Eles são os únicos a fazer o trabalho sujo", disse ele.

Mas comandantes iraquianos e americanos temem que esse legado militar fundamental da guerra pode estar em risco agora que as forças dos Estados Unidos se preparam para a retirada ainda neste ano, sob um acordo entre ambos os países.

Os americanos dizem que as forças de operações especiais do Iraque, que foram deliberadamente criadas com uma composição equilibrada das principais seitas e etnias do país, são mais capazes do que o Exército iraquiano e podem ser cruciais na prevenção da transformação da insurgência resistente em uma guerra civil sectária.

Mesmo que alguns políticos iraquianos estejam dispostos a admitir publicamente que precisam de ajuda dos Estados Unidos, soldados iraquianos dizem que as tropas americanas devem ficar mais tempo para continuar treinando e aconselhando as suas próprias ações. "Os americanos precisam ficar porque não temos controle de nossas fronteiras", disse o major-general Fadhel al-Barwari, comandante da Força de Operações Especiais do Iraque.

Os líderes militares iraquianos têm aconselhado o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, dizendo que algumas tropas devem permanecer.

Zona de guerra

Apesar de o combate ter sido oficialmente declarado como encerrado, o Iraque ainda se parece com uma zona guerra para as unidades de operações especiais espalhadas pelo país.

O governo dos Estados Unidos gastou centenas de milhões de dólares para treinar e armar essas forças, mas a quantidade exata é desconhecida, porque os militares não prestaram conta sobre os valores, de acordo com um relatório.

O futuro dos militares americanos no país é uma decisão política nas mãos do governo do Iraque, que deve pedir formalmente que o acordo de segurança seja modificado para permitir que algumas tropas permaneçam no país.

*Por Tim Arango

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