Na Itália, fim de casamento pode virar negócio

"Mercado" do divórcio começa a crescer em país católico romano tradicionalmente centrado na família

The New York Times |

Os expositores da primeira feira de divórcios realizada na Itália no último fim de semana eram uma previsível mistura de advogados, agentes imobiliários, planejadores de separação, centros de testes de paternidade e agências de encontros.

Não menos previsível foi a reação da mídia, que foi até lá para registrar a última transformação sísmica da sociedade italiana, um país católico romano tradicionalmente centrado na família - cujo esteriótipo está desaparecendo rapidamente.

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Milena Stojkovic (centro), da agência de planejamento de divórcio Ciao Amore (adeus amor, em tradução livre), participa da feira em Milão

Em 2007, segundo as últimas estatísticas disponíveis, houve mais de 81 mil separações e 50 mil divórcios entre a população italiana de 59 milhões de pessoas. Trinta anos atrás, os divórcios não passavam da marca de 12 mil.

Casamentos para toda a vida e famílias estreitas "são ótimos valores, mas as mulheres começaram a viver uma nova realidade", disse Lorenza Lucianer, uma funcionária de escritório que já se separou duas vezes e veio à feira com duas amigas. "Nos transformamos na América. Todos estão em seu segundo casamento. Aconteceu mais tarde aqui, mas aconteceu".

Mas ainda não é tão igual à América assim.

Para os inquietos futuros solteiros italianos, o divórcio americano (pelo menos aquele de cinema, onde casamentos são dissolvidos rapidamente) é um sonho.

Na Itália, os divórcios levam cerca de cinco anos a partir da primeira audiência de separação, disse Claudio De Filippi, um advogado que expôs na feira.

Sua empresa, ele disse, desafia a lei do divórcio da Itália no Tribunal Europeu de Direitos Humanos em Estrasburgo, França, porque na maioria dos países europeus um divórcio leva em média um ano. "Mas, evidentemente, temos o Vaticano aqui", ele explicou. "O divórcio é visto como uma medida extrema".

A Itália ratificou divórcio apenas em 1974 em um referendo, e os críticos reclamam que os legisladores italianos não se mantêm atualizados com este tempo de mudanças.

Por exemplo, a Itália aprovou a custódia conjunta das crianças em 2006, mas "la mamma" ainda faz a maior parte da criação dos filhos, de acordo com Umberto Vaghi, corretor de imóveis e defensor da associação "I Love Papa", que organiza a Parada Anual dos Pais em Roma e luta pelos direitos dos pais e dos menores.

Ele diz que sua associação tem "batalhado contra um problema cultural que discrimina homens e mulheres" porque "pressupõe que as crianças vão ficar com suas mães e obriga as mães a um papel que pode impedir que façam outras coisas em suas vidas", ele disse.

O aumento no índice de divórcios é o que levou Milena Stojkovic a abrir o que diz ser a primeira agência de planejamento de divórcios da Itália, a "Ciao Amore". Ela conta com escritórios em Roma e Trieste, e previsão de uma nova sucursal em Milão em breve, ela disse. "O planejamento do divórcio é um conceito muito novo na Itália", disse ela, mas os negócios estão indo bem.

Por Elisabetta Povoledo

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