Na Índia, esperança de modernização no metrô

Cuspir e urinar são proibidos no metrô de Nova Délhi, onde há esperança de que infraestrutura urbana indiana chegue ao século 21

The New York Times |

Os trens chegam com um sussurro. As portas se abrem e um um sopro de ar refrigerado se depara com o calor da atmosfera da cidade. Uma campainha toca, as portas se fecham e o trem segue para a próxima parada.

Essa sequência de eventos pode parecer absolutamente comum nas plataformas de Berlim ou Bangcoc, Estocolmo ou Cingapura. Mas no suado coração da maior megalópole do norte da Índia, Nova Délhi, o grande sucesso do sistema de transporte subterrâneo da cidade, conhecido como Metro, é uma proeza quase miraculosa, que oferece uma nova esperança de que a infraestrutura urbana perpetuamente decrépita da Índia possa ser arrastada para o século 21.

O Metro de Déli consegue desafiar quase todos os estereótipos urbanos da Índia. Ele é escrupulosamente limpo, perfeitamente mantido e quase o tempo todo pontual. Seus carros são as versões mais modernas, equipados com ar-condicionado e até mesmo com tomadas para que os passageiros carreguem seus celulares e laptops.

Sua sinalização e outras tecnologias de segurança são de primeira linha. Segundo especialistas, o sistema está entre os melhores do mundo. Apesar das tarifas baratas, menos de 20 centavos de dólar para a distância mais curta e cerca de 67 para as mais longas, o sistema consegue operar com lucro. "O desempenho do Metro tem sido excelente", disse Pronab Sen, principal estatístico da Índia.

Mas ninguém aprecia mais o Metro do que os passageiros. Pawan Sharma, um funcionário público que viaja do subúrbio de Dwarka, ficou tão impressionado com o Metro que se dispôs a ser um monitor voluntário.

As regras do Metro são estritamente cumpridas. Cuspir, um hábito comum entre os homens no Norte da Índia, é proibido. Bem como sentar no chão do vagão, um hábito frequentemente visto em trens superlotados, onde os passageiros sem bilhetes se acomodam no assoalho.

Urinar em público, outro mau hábito em um país onde há mais telefones celulares do que banheiros, também é proibido. Assim como comer e beber. Essas regras vão contra o caos da vida urbana na Índia onde tudo é possível, disse Sharma.

"As pessoas me perguntam, 'Por que você está me incomodando?'", explicou em uma tarde recente conforme pedia que um jovem se levantasse do chão. "Mas eu lhes digo, 'O governo nos deu esse bom sistema de transporte. Por que estragar isso?'"

A verdade é que ainda não se sabe se o Metro de Déli permanecerá assim por muito tempo e se a lição poderá ser usada em outras áreas da vida urbana da Índia.

*Por Lydia Polgreen

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