Na Flórida, mais distrações para os democratas

TITUSVILLE, Flórida ¿ Esse estado deve ser o mais perto que o partido Democrata chegou de lugares assombrados. A Flórida viu outro candidato à presidência, depois de uma semana não muito boa, discursar sobre a tentativa de superar os ataques publicitários e ¿atingir¿ o público.

The New York Times |

As chamas do senador Barack Obama queimam friamente ¿ ele não denuncia nenhuma evidência de esmurrar travesseiros em casa ¿ mas suas palavras no domingo estavam frias de frustração.   

Se você pensar sobre essa semana, verá que eles (membros da equipe de campanha de McCain) são bons em distrações, disse durante uma coletiva de imprensa numa manhã úmida. Temos estatísticas que apontam que perdemos 50 mil postos de trabalhos. A Flórida está em recessão pela primeira vez em uma década e meia. E o assunto era a Paris (Hilton) e a Britney (Spears). 

Na verdade, muitos candidatos passam por semanas como essa. A saída parece ser recorrer ao tema favorito do candidato ¿ Obama acordou em St. Petersburg, Flórida, preparado para falar sobre a economia atormentada e viu as manchetes dos jornais: ESTA É UMA RECESSÃO.

Imagem arranhada

Os dois comerciais alucinógenos preparados pelo senador John McCain que atacam Obama atingiram o público. Um comercial comparou Obama a Paris Hilton, Britney Spears e outras celebridades do momento , e outro o comparou a Moisés . (Um profeta bíblico como foi Moisés, claramente a comparação não foi lisonjeira.) Ambos os comerciais questionavam se Obama estava preparado para ser presidente. O democrata também esbarrou na questão racial. No fim da semana, pesquisas eleitorais nacionais mostraram que a disputa ficou apertada e a CNN realizou uma reportagem sobre o Culto de Obama. 

A imagem de Obama ficou um pouco arranhada.   

O time deles é bom em criar distrações, eles são engajados em ataques negativos e plantam dúvidas sobre as pessoas, disse o democrata. Precisamos assegurar que estamos focados nas preocupações cotidianas da população. E precisamos ser muitos rígidos quanto a isso. E eu serei muito rígido quanto a isso. 

Uma ponta de dúvida aparece na voz do senador. A conversa densa sobre economia parece ressoar na Flórida. E ele não hesita em atacar ardentemente o senador John McCain desde assuntos sobre economia e educação até sobre perfurações ao longo da costa. McCain, que esculpe posições políticas em muitos temas, responde à sua maneira.

Mas o candidato e seus conselheiros estão cientes de Obama permanece uma figura evasiva para muitos americanos, um homem frio e artificial que pode apenas caminhar facilmente entre os ambientes.  

A tentação é permanecer indiferente aos comerciais, como aconselhou ao jovem Obama o substituto de McCain, o senador Joseph Lieberman em um programa de TV no domingo.

Nós não tiramos o mérito dos republicanos em produzirem ataques negativos, disse Obama. Temas como a minha relativa juventude ou o fato de não estar no cenário naciaonal há tanto tempo como McCain, serão explorados pelos republicanos.  

Chris Lehane, consultor democrata que foi porta-voz de Al Gore em 2000, campanha que incluiu uma estadia prolongada no estado da Flórida, disse que Obama diagnosticou bem sua vulnerabilidade.  Ele é famoso, mas não necessariamente bem conhecido. Portanto, ataques ao seu caráter e sua identidade podem machucar sua imagem. 

Presunçoso

O texto implícito no comercial com as celebridades parece claro. A definição que os republicanos atribuem a Obama é bem semelhante a que atribuíram ao senador John Kerry em 2004: elitista e em desarranjo com os cidadãos americanos. O gerente da campanha de McCain até levantou o assunto arugula (planta mediterrânea usada em saladas) na semana passada, zombando do gosto de Obama por alface e seu desejo ocasional por uma xícara de chá orgânico.

Uma coluna no The Washington Post semana passada também alfinetou muitos dos supostos pecados do candidato, como conversar sobre economia com o presidente Federal Reserve, Ben Bernanke, e palpitar sobre a decisão do Serviço Secreto em fechar algumas ruas por motivo de segurança. O Serviço Secreto tomou decisões independente da opinião dos candidatos. 

Você é presunçoso?, perguntou um repórter a Obama ao final de  uma coletiva de imprensa. Obama olhou como se estivesse num beco sem saída. Eu não sei se existe essa percepção, disse. Eu acho que a pergunta a ser feita é no que isso se baseia?

 Um candidato presunçoso, alegou Obama, não teria viajado quatro estados em três dias. Eu vibro, disse. Obviamente sabemos que essa é uma disputa apertada. E achamos que essa será uma disputa acirrada até o final.

Eu acho, continuou Obama, que os americanos assistiram aos comerciais e às discussões na televisão e se perguntaram o que isso tem a ver comigo?

Por MICHAEL POWELL

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