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Na cobertura do Irã, o jornalismo usa notícias sem confirmação

MARGIN: 0cm 0cm 0ptFONT-SIZE: 10pt¿Checar a fonte¿ deve ser a primeira regra do jornalismo. Mas na cobertura dos protestos no Irã, neste mês, algumas agências de notícias adotaram uma postura diferente: publicar primeiro, perguntar depois. Se você ainda não sabe as respostas, pergunte aos seus leitores.urn:schemas-microsoft-com:office:office /

The New York Times |

A CNN mostrou diversos vídeos apresentados por iranianos, a maioria deles de manifestantes que foram às ruas para protestar contra a reeleição de Ahmadinejad, em 12 de junho. O site do New York Times, Atlantic magazine, Huffington Post e do Guardian em Londres publicaram informações minuto-a-minuto com uma mistura de vídeos sem confirmação, mensagens anônimas do Twitter e considerações tradicionais de Teerã.

As notícias online tendem a correr em uma linha diferente da de reportagens mais tradicionais de agências de notícias, convergindo quando vídeos e informações de usuários podem ser confirmados. A combinação ainda atinge a maior adoção de um novo estilo de apuração de notícias ¿ uma que combina as contribuições de cidadãos comuns com a de relatórios e análises de jornalistas.

Muitas das principais agências de notícias, que no passado foram críticas das fontes de informações indiferenciadas na web, tiveram poucas opções, a não ser abrir inteiramente suas portas neste caso. Enquanto os protestos contra Ahmadinejad aumentavam, o governo cortava agressivamente a mídia estrangeira. Enquanto os vistos expiravam, muitos jornalistas faziam as malpas, e aqueles que ficaram foram impedidos de fazer reportagens nas ruas.

Em um vazio de notícias, vídeos amadores e informações de testemunhas se tornaram a fonte factual de informação. Na verdade, o símbolo dos protestos, a imagem de uma jovem chamada Neda sangrando até a morte em uma rua de Teerã, foi filmada por duas pessoas segurando câmeras de celulares.

É incrível o volume de coisas que surgem do Irã, disse Matthew Weaver, que parecia exausto na noite de quinta-feira, após blogar por mais de 10 dias no site do jornal The Guardian.

Quando ocorriam comícios e conflitos apareceram os primeiros tweets, então as imagens, depois vídeos no YouTube e gravaões, disse. É extraordinário.

De acordo com ele, o mais importante que as pessoas estão dizendo a certo ponto do dia é então confirmado por fontes mais convencionais quatro ou cinco horas depois.

A CNN encoraja o público a colocar imagens e observações no iReport.com, seu site para o jornalista cidadão. Cada upload vai automaticamente para a página da internet, mas cada um é analisado antes de ser mostrado na televisão.

No processo de checagem, a CNN contata a pessoa que postou o material, faz perguntas sobre o conteúdo e tenta confirmar sua veracidade. Lila King, produtora-executiva do iReport, disse que os integrantes da equipe tentam triangular os detalhes de um evento ao corroborar histórias com múltiplos colaboradores do iReport em uma mesma área. Pessoas que falam persa na CNN às vezes ouviam com atenção ao som dos vídeos de protestos, discernindo o sotaque das cidades iranianas e transcrevendo os cantos e gritos.

Porque os vídeos e imagens não são feitos por funcionários da CNN, a rede não pode assegurar sua autenticidade. Mas quando há um vácuo de notícias - a equipe da CNN permanente no Irã foi expulsa na semana passada ¿ eles fornecem todas as imagens importantes para contar a história.

Para mostrar o quão difícil o processo pode ser, a CNN recebeu 5.200 informações relacionadas ao Irã e aprovou cerca de 180 deles para uso na televisão.

Agora, o Irã tem o terceiro maior tráfico de uso no iReport.com, atrás apenas dos EUA e do Canadá. Há um mês, o Irã era o número 63 na lista de países. King pediu ao Irã um momento divisor de águas para despachar os cidadãos, e pela primeira vez um produtor do iReport se sentiu na sala principal da CNN.

Bill Mitchell, líder sênior do Instituto Poynter, escola pública para jornalistas, disse que a extensão do envolvimento mostrado na cobertura do Irã parece ser uma nova forma de pensar o jornalismo.

Ao invés de se limitarem a uma explosão de artigos escritos por um jornalista (profissional ou algo do tipo), a ideia é olhar as histórias mais de perto, enquanto elas acontecem, e perguntar: há um pedaço desta história na qual estou, particularmente, em uma boa posição para melhorar ou antecipar?, disse ele em uma mensagem de e-mail.

E não é só uma questão para jornalistas, acrescentou.

Nico Pitney, editor sênior do Huffington Post, começou a agregar notícias do Irã em 13 de junho, um dia após a eleição. No meio da semana passada, o blog ¿ com diversas atualizações por hora durante o dia ¿ havia recebido mais de 100 mil comentários e cinco milhões de acessos.

Pitney disse que blogs como o dele produzem uma síntese da profissão de repórter um material amador confiável. Essencialmente, as dicas de notícias que os repórteres sempre levavam consigo estão expostas ao público.

Em um reconhecimento do papel da web na cobertura de protestos, Pitney foi convidado pela Casa Branca a fazer uma pergunta na coletiva de imprensa do presidente, na última semana. Ele fez ao presidente Barack Obama uma pergunta enviada por e-mail por um iraniano. Estamos vendo muitas informações vindas diretamente do Irã, disse o presidente.

Mesmo usuários anônimos de internet desenvolvem uma reputação com o tempo, disse Robert Mackey, que contribui com um blog ao vivo, chamado The Lede, para o site do New York Times. Apesar de ter tido algumas afirmações erradas em sites como o Twitter, no geral parece ter havido bem poucas travessuras, disse Mackey. As pessoas geralmente querem ajudar a resolver o quebra-cabeça.

Leitores repetidamente chamaram a atenção aos tweets e fotos dos protestos nos comentários do blog. Alguns até compartilharam suas lembranças da geografia de Teerã em uma tentativa de checar as cenas nos vídeos.

Com o tempo, os repórteres improvisados do Irã melhoraram suas habilidades. Alguns colocaram a data de um conflito nas descrições dos arquivos mandados. Outros filmaram sinais e pontos de referência das ruas. Mas os uploads podem enganar às vezes. Na última quarta-feira, Mackey pediu ajuda aos leitores para determinar de um vídeo tremido de uma jovem era realmente novo. Um leitor do blog mostrou a ele uma cópia que havia sido colocada no YouTube dois dias antes.

Casos como esse mostram por que a publicação de tweets e fotos em Flickr podem ser estranhas. Fazendo o mesmo que outros, Waver, blog do Guardian, disse que sua maneira de informar deixou um de seus aborrecidos. Ele fala de um colega que advertiu: twitter? Eu nunca vou mexer nisso, é tudo lixo.

Em duas ocasiões, o blog do Guardian exibiu vídeos que mais tarde se descobriu serem de dias atrás. Weaver disse que os leitores de blogs ao vivo são um pouco mais complacentes com esses incidentes, em parte porque os blogueiros são transparentes quanto ao que eles sabem e o que não sabem.

Âncoras de televisão frequentemente foram colocados na mesma posição enquanto cobriam o Irã. Na última quarta-feira, o âncora da Fox News, Shepard Smith, mostrou um vídeo do YouTube de oficiais da polícia batendo e arrastando pessoas.

Não sabemos de quando ou de onde esse vídeo é, disse Smith aos espectadores. Não sabemos nem mesmo se isso foi dirigido, apesar disso não temos razão para acreditar nisso. Tudo que ele sabia com certeza era que havia sido recentemente colocado no YouTube. Para as agências de notícias, isso se tornou um ponto bom o suficiente para começar.


Por BRIAN STELTER


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