Na China, casa própria pode ajudar solteiro a conseguir namorada

Em meio a boom imobiliário, pesquisa indica que 70% das mulheres só se casariam com quem tivesse propriedade

The New York Times |

No reino dos solteiros, Lin Wang tem muito a seu favor. Ele é um vendedor de seguros de 28 anos de idade, com diploma universitário, dentes impecavelmente brancos, uma voz tolerável no karaokê e um Nissan de três anos de idade, com assento azul peludo. "Meus amigos me dizem que sou bem bonito", disse ele recentemente, mexendo nas chaves do carro como se fossem um talismã.

Mas pelos padrões exigentes de algumas mulheres solteiras chinesas, Wang não tem um atributo fundamental: uma propriedade.

NYT
Casal passa por anúncio de desenvolvimento imobiliário em Pequim

Como até mesmo um apartamento apertado de dois quartos na periferia da capital chinesa é vendido por cerca de US$ 150 mil, o salário mensal de US$ 900 que Wang recebe parece ser uma condenação perpétua ao aluguel.

Meia dúzia de mulheres recusou um segundo encontro com ele depois de saber que Wang não tem meios para comprar uma casa.

"Às vezes eu me pergunto se nunca irei encontrar uma esposa", disse Wang, que vive com seus pais, operários aposentados que o lembram de seu status de solteiro com uma regularidade irritante. "Eu me sinto um perdedor”.

O implacável boom imobiliário da China fez disparar em até 140% o preço dos imóveis no país desde 2007, e até 800% em Pequim nos últimos oito anos. Os compradores da classe trabalhadora ficaram fora do mercado, enquanto um número estimado de 65 mil apartamentos em todo o país, comprados como investimento, permanecem vazios.

Embora seja difícil medir o celibato involuntário, mais de 70% das mulheres solteiras afirmaram em uma pesquisa recente que só casariam se o futuro marido tivesse casa própria.

Cerca de 50% disseram que as considerações financeiras são mais importantes do que qualquer outro quesito. Não surpreendentemente, 54% dos homens solteiros disseram que a beleza vem em primeiro lugar de acordo com a pesquisa, que entrevistou 32 mil pessoas e foi realizada em conjunto pela Associação de Pesquisa Chinesa do Casamento e da Família e a Federação das Mulheres da China.

Estatisticamente, as mulheres decidem. Dado o desequilíbrio de gênero da nação, consequência de uma preferência cultural por meninos e rígidas políticas de planejamento familiar, cerca de 24 milhões de homens podem ser celibatários perpétuos até 2020, segundo a pesquisa.

Por Andrew Jacobs

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