Na China, ativistas convocam nova 'Revolução Jasmim'

Inspirados na revolta da Tunísia que derrubou ditador, chineses tentam mobilização contra censura do governo chinês

The New York Times |

Um movimento de ativistas pequeno, mas teimoso persiste em convocar manifestações, apesar de uma campanha de prisões e censura que ressalta a preocupação da China em relação aos distúrbios e revoltas que tomaram conta de países do Oriente Médio e Norte da África.

De acordo com o Centro de Informação para Direitos Humanos e Democracia, baseado em Hong Kong, três pessoas foram detidas por "incitar a subversão do poder do Estado" depois de terem convocado protestos na semana passada. As prisões não puderam ser confirmadas de forma independente, mas acontecem após as prisões de dezenas de dissidentes e defensores de direitos humanos.

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Manifestantes opositores protestam em Túnis, capital da Tunísia (24/1/2011)
Alguns advogados conhecidos que lidam com questões sensíveis foram colocados sob prisão domiciliar e alguns foram espancados, de acordo com ativistas de direitos humanos.

Ativistas, possivelmente de fora da China, pediram aos cidadãos do país que expressem descontentamento com a falta de reformas e a corrupção dos oficiais se reunindo silenciosamente diante de lojas de departamento ou outras áreas públicas para uma nova Revolução Jasmim, em referência à revolução na Tunísia que despertou outras no Oriente Médio.

Os organizadores pediram que as manifestações aconteçam todos os domingos, e fizeram uma lista de locais em uma dúzia de grandes cidades do país onde as pessoas poderiam "dar um passeio" no próximo domingo às 14h.

Bloqueio

Como as convocações são feitas via Twitter e outros serviços amplamente bloqueados na China, elas circulam apenas entre aqueles que sabem como contornar a censura da Internet. Mas as autoridades chinesas têm respondido com seu zelo habitual.

No domingo, um protesto em Pequim foi impedido pelos policiais. E a palavra "jasmim" foi bloqueada em sites populares de redes sociais e salas de bate-papo.

As autoridades podem ter dificuldade em erradicar completamente a palavra. Jasmim é também o nome de uma canção popular chinesa. Ela era supostamente a favorita do líder anterior da China, Jiang Zemin, que pediu que ela fosse tocada na transferência de Hong Kong, antiga colônia britânica, à China em 1997. Além disso, existem vídeos do atual líder da China, Hu Jintao, cantando a música durante uma viagem na África.

Alguns desses vídeos foram publicados em sites de redes sociais, forçando os censores a decidir se eles devem excluir os vídeos de seus líderes, que poderiam ser vistos como uma expressão de patriotismo.

"O interessante é a forma indireta com a qual os cidadãos chineses usam essa música e seu sentido histórico para fazer uma declaração extremamente subversiva", disse Sharon Hom, diretora executiva do grupo Human Rights in China. "O relevante é que há um escape de informação e ele está crescendo”.

*Por Ian Johnson

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