Na Austrália, aborígenes enfrentam medidas de combate ao alcoolismo com desconfiança

HALLS CREEK - Desde que Halls Creek recentemente se tornou a última cidade aborígene do interior da Austrália a restringir a venda de bebidas alcoólicas, seus médicos e policiais têm dormido melhor graças à queda na ocorrência de tumultos noturnos.

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Aborígenes sofrem com preconceito e dependência do álcool

As multidões de homens e mulheres aborígenes que iam de uma loja de bebidas ao pub do outro lado da cidade depois do entardecer sumiram. Alguns se mudaram para cidades da região, a centenas de quilômetros.

Quatro décadas depois que uma emenda constitucional garantiu direitos iguais aos aborígenes australianos, incluindo o direito de beber legalmente, um número cada vez maior de cidades e pequenas comunidades da etnia passou a limitar a venda de álcool. Muitos líderes aborígenes dizem que as restrições são necessárias para reverter os efeitos de uma cultura da bebida que levou à ampla disseminação do alcoolismo, violência e abuso infantil.

A auto-restrição na região oeste da Austrália e em outros Estados reflete uma postura mais rígida em relação à comunidades aborígenes adotada pelo governo federal nos últimos dois anos no Território Norte, a região com maior concentração da etnia. Conhecida como "a intervenção", a medida tem irritado aborígenes de todo o país, especialmente os mais velhos que tiveram contato direto com as políticas quase coloniais da Austrália em relação a seu povo.

"Nós queríamos assumir o controle da situação ao falar sobre o assunto, mas essa intervenção foi algo imposto pelos poderosos ao nosso povo", disse Doreen Green, 65, professora da escola primária e uma das duas mulheres aborígenes que lideram uma campanha contra a restrição do álcool na região.

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Placa avisa sobre restrição da venda de bebidas alcóolicas na região

Em 2007, o governo reivindicou grande parte da autonomia do Território Norte, onde tem maior autoridade do que nos Estados, ao exercitar o controle direto sobre o álcool e o bem-estar social. Os recipientes de ajuda governamental sob suspeita de negligência infantil podem ter 70% de seus benefícios cortados.

"Nós devemos esperar e ver outra geração se envolver no álcool e cheirar gasolina", disse Robyn McSweeney, ministro da proteção infantil dos Estados, "ou devemos ser proativos e tentar fazer algo em nome das crianças agora?"

Mas a intervenção também fez com que líderes aborígenes de fora do Território Norte instituíssem limites próprios. No últimos 18 meses aqui no oeste do país, quatro cidades e comunidades menores conseguiram persuadir as autoridades a adotarem a restrição da venda de álcool e outras quatro submeteram pedidos de proibição.


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