Na ausência de Sarah Palin, uma nova estrela do Tea Party ascende

Michele Bachmann é uma das apostas para fazer frente a Obama em 2012; na disputa pela Câmara em 2010 ela arrecadou US$ 13 milhões

The New York Times |

Sarah Palin, a heroína de muitos movimentos conservadores, tem dado poucos sinais de que irá se candidatar à presidência em 2012. Mike Huckabee venceu o cáucaso de Iowa em 2008 por causa da força do seu apelo aos evangélicos e outros grupos, mas tem falado principalmente sobre as razões para não participar da disputa. Então, a representante Michele Bachmann, de Minnesota, veio para preencher o vazio.

Mais conhecida como uma presença constante na televisão a cabo e a fundadora do cáucaso do movimento Tea Party na Câmara, ela agora está pensando se deve buscar a indicação presidencial republicana. E uma reação precoce a ela em Iowa, onde nasceu e cresceu, sugere que Bachmann não apenas poderia fazê-lo, mas também poderia ter um impacto substancial na disputa.

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Michele Bachmann criou cinco filhos e 23 crianças órfãs, histórico bem recebido por famílias conservadoras americanas
Em um intervalo entre encontros com eleitores e entrevistas de rádio e televisão – uma rotina quase diária – Bachmann sentou-se no bar de um hotel local e não deixou dúvidas de que está falando sério sobre a disputa. "Não é como se eu pensasse em ser presidente desde que nasci", disse ela, inclinando-se e falando de maneira mais suave do que faz na televisão ou nos comícios do movimento Tea Party. "Estou recebendo muitos incentivos para concorrer, de pessoas de todo o país. Eu não acredito que essa seja uma decisão precipitada”.

Existe uma hierarquia no Congresso, e a resposta televisionada de Bachmann no Tea Party ao discurso do presidente do Estado da União irritou líderes republicanos da Câmara, que já a recusaram quando ela procurou uma posição de liderança neste ano. Mas não há regras de senioridade na política presidencial, onde explorar uma candidatura exige pouco mais de um bilhete de avião para um Estado de votação antecipada e uma lista de militantes curiosos do partido.

Depois de uma visita de quatro dias a Iowa no fim do mês passado, na qual Bachmann disse "Eu vou (concorrer)!" em várias paradas, ficou claro que os republicanos estão percebendo sua presença. No mínimo, o clamor entre alguns conservadores para que Palin concorra se acalmou conforme a atenção dada a Bachmann aumenta. "Se a deputada Bachmann entra, ela tem o potencial de atrair muita gente que poderia ter ficado a favor da governadora Palin”, disse o governador Terry Branstad de Iowa, em uma entrevista. "Imagine se as duas entrarem na disputa. Isso pode tornar tudo muito mais interessante”.

Bachmann teria obstáculos substanciais a superar. Ela já cometeu algumas grandes gafes – incluindo declarar no mês passado que os primeiros tiros da Guerra Revolucionária foram dados em New Hampshire e não em Massachusetts – que levantam dúvidas sobre seu preparo para uma campanha nacional.

Desistência

Seu gabinete no Congresso tem grande desistência – cinco chefes de equipe nos últimos quatro anos. O ex-presidente do Partido Republicano de Minnesota, Ron Carey, pediu demissão do cargo após cinco meses. Ele disse a repórteres em Minneapolis que não iria apoiar a sua candidatura presidencial: "Ela não será uma candidata elegível para nós".

Ainda assim, Bachmann, que completa 55 anos esta semana, demonstrou capacidade de arrecadação nacional ao conseguir US$ 13 milhões no ano passado em sua disputa pela Câmara. Embora nessa fase os eleitores estejam mais inclinados a ouvir do que a assinar na linha pontilhada, a energia que ela cria entre os grupos conservadores é inigualável por qualquer um, menos Palin.

"Se Sarah não fizer alguma coisa, ela pode perder terreno", disse Danny Carroll, ex-deputado estadual e um dos principais ativistas conservadores. Ele disse não conhecer nenhum republicano que tenha visto Palin agir recentemente.

Kent Sorensen, um republicano que foi eleito no ano passado para o Senado de Iowa e se tornou líder do Tea Party disse que irá trabalhar com Bachmann caso decida se candidatar. "Eu não quero falar mal de Sarah Palin, mas ela carece de substância", afirmou Sorensen. "Eu acredito que Michele Bachman tem mais substância. Para ser franco, eu acho que ela faria picadinha de Palin”.

Aqui em Iowa, onde o cáucaso irá abrir a disputa pela indicação presidencial, Bachmann tem pelo menos mais um ponto positivo com a plateia. “Eu sou uma de vocês, eu sou de Iowa!”, disse ela diante do capitólio local.

Histórico

Michele Bachman, que se mudou para Minessota quando adolescente, reconta com avidez como seus antepassados noruegueses se instalaram perto de Waterloo, Iowa. Ela também confessa que foi criada como democrata – ela e o marido Marcus trabalharam na campanha de Jimmy Carter, em 1976 – mas mudou quando leu um livro de Gore Vidal que achou ser "um escárnio de nossos pais fundadores".

Não há nenhum outro candidato republicano em potencial que agrade tanto a multidão – normalmente às custas do presidente Barack Obama. Suas frases vêm como fogo rápido dando tempo suficiente apenas para os aplausos. "O que precisamos é de uma mudança de endereço da pessoa que vive no número 1,6 mil da Avenida Pennsylvania”, disse ela gerando gargalhadas. Ao falar sobre o que chamou de expansão do governo ao abrigo da nova lei da saúde, ela declarou: "Eu quero um levantamento de tudo feito nos últimos dois anos pelo presidente Barack Obama!"

Além de qualquer efeito que tenha sobre a possível candidatura de Palin, a entrada de Bachmann na corrida poderia ter implicações para outros candidatos que procuram apelar para as mesmas fatias do eleitorado. Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota, é do mesmo Estado e está tentando apelar para o Tea Party. O ex-senador Rick Santorum, da Pensilvânia, pode perder toda sua vantagem entre os eleitores que se opõem aos direitos de aborto. Mitt Romney já está lutando para explicar a lei de saúde que assinou como governador de Massachusetts, e nenhum dos candidatos critica o plano de saúde de Obama mais do que Bachmann.

Bachmann disse que se entrar na disputa irá fazê-lo no início do verão, deixando tempo suficiente para que se organize para a votação preliminar de Iowa, em agosto, que seria o primeiro teste de sua influência.

Bachmann soou menos segura de si mesma ao responder perguntas espontâneas do que quando fala em grandes comícios. Ela serviu seis anos no Senado em Minnesota e está em seu quinto ano no Congresso. Perguntada se pensou que iria enfrentar perguntas sobre sua experiência, ela fez uma pausa. "Eu acho que é uma boa pergunta porque os eleitores pessoas precisam conhecer os antecedentes da pessoa a que confiam a maior nação da Terra", disse ela. "Eu venho de uma família modesta. Paguei pela minha própria faculdade, especialização em direito e pós-doutorado em direito tributário”.

Ela também criou cinco filhos e 23 crianças órfãs, o que a torna especialmente popular entre as famílias conservadoras. Quando ela falou em uma reunião de pais que educam seus filhos em casa, vários eleitores, em entrevistas, mencionaram Palin. As semelhanças mais óbvias entre Bachmann e Palin podem ser o cabelo castanho e o gênero, mas ela disse que não se incomoda de ser questionada sobre paralelos.

"Pessoalmente, eu gosto de Sarah Palin, ela é uma pessoa adorável", disse Bachmann. "Eu tive o privilégio de conhecê-la e estar com ela em três ocasiões diferentes”.

Bachmann disse que os potenciais candidatos precisarão tomar suas próprias decisões sobre como entrar na disputa presidencial e a dela não será influenciada pela candidatura de ninguém. "Precisamos de alguém forte, corajoso e conservador, que não será derrubado e irá lutar pelos valores em que acreditamos", disse ela. "Isso é o que nós precisamos do nosso candidato, seja eu ou outra pessoa”.

*Por Jeff Zeleny

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