Músicos protestam contra zonas de silêncio no Central Park

Designação de áreas onde som amplificado e instrumentos musicais são proibidos causa polêmica e manifestações em Nova York

The New York Times |

As placas começaram a aparecer em alguns dos locais mais populares no Central Park perto do fim de maio. Em grandes letras brancas sobre fundo verde elas anunciam que aquelas áreas foram designadas zonas de silêncio, e que instrumentos musicais e som amplificado não são permitidos. Algumas das placas citam a autoridade de Conservação do Central Park, uma organização privada que administra o parque. Outras também têm o nome da Secretaria Municipal de Parques e Recreação.

Vários músicos que trabalham no parque de 840 hectares e não utilizam sistemas eletrônicos de som disseram que agentes do parque recentemente informaram que eles não poderão tocar em determinadas áreas, incluindo Bethesda, Strawberry Fields e Boathouse. O cantor John Boyd disse ter recebido seis convocações oficiais após se recusar a mudar de local.

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Músicos tocam em protesto contra zonas de silêncio no Central Park
Em uma tarde de domingo, advogados do grupo de defesa das liberdades civis do grupo Norman Siegel Geoffrey Croft se reuniram com alguns dos músicos em um corredor ao lado do chafariz Bethesda.

Siegel chamou a criação e expansão das zonas de silêncio de "antitética aos princípios, valores e espírito da Primeira Emenda” [da Constituição americana]. Ele disse que ele e Croft irão falar com os advogados da cidade e pedir que os oficiais do parques interrompam a aplicação das regras contra pessoas que não fazem uso de som amplificado e não toquem excessivamente alto.

"As liberdades civis não são minúcias ou detalhes técnicos", disse Arlen Oleson, 56 anos, um músico que frequenta o parque. "As liberdades civis são a base da nossa sociedade”.

Fonte de renda

Vários músicos afirmam que o dinheiro que recebem das pessoas no parque é sua única fonte de renda. O saxofonista, Rakiem Walker, estima que os músicos possam ganhar entre US$ 20 mil e US$ 120 mil por ano tocando no local em tempo integral.

Vicki Karp, porta-voz do Departamento de Parques e Recreação, afirmou que as zonas de silêncio, algumas das quais remontam à década de 80, foram introduzidas como parte de um esforço para equilibrar interesses conflitantes. "Os parques são um dos poucos lugares onde você pode vir e ouvir os sons suaves da natureza – o canto dos pássaros, a água caindo, o vento nas folhas", ela escreveu em um email. "Não é que não estamos permitindo a música ou o som alto. É que nós também estamos permitindo o silêncio, que não é automático nessa cidade”.

Ela disse que algumas placas para identificar as zonas de silêncio existiam no passado. Os músicos afirmaram que as primeiras placas perto do chafariz Bethesda foram colocadas no dia 23 de maio.

Boyd, 48 anos, que canta ópera, gospel e jazz, e é acompanhado por um guitarrista, um violinista, um violoncelista e um flautista, disse que começou a receber intimações – a maioria delas por causa do ruído excessivo – há dois meses, antes mesmo das placas aparecerem no parque. Ele disse que pretende combater as intimações em tribunal.

Após uma entrevista coletiva, os músicos começaram a tocar diante de uma multidão. Oleson tocou uma composição barroca de Charles-Hubert Gervais. E terminou sob aplausos.

Um dos que aplaudiam eram Rick Eden, 51 anos, que trabalha com tecnologia da informação e visitava a cidade vindo de North Smithfield, Richmond.

"Vocês fazem muito para criar um bom ambiente e cultura", Eden gritou.

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Sinalização indica zona de silêncio no Central Park, em Nova York

*Por Colin Moynihan

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