Mundo acompanha atento debate sobre mesquita em Nova York

Projeto é visto como referendo crucial sobre questões relativas a tolerância, religião e sentimentos pré-existentes

The New York Times |

Em todo o mundo, a disputa a respeito de um centro islâmico perto do Marco Zero suscitou algumas reações inesperadas.

Para muitos na Europa, onde disputas ainda mais amargas aconteceram por causa do véu na França e minaretes na Suíça, a luta dos Estados Unidos sobre o Park51 parece algo pequeno, essencialmente uma disputa de zoneamento em uma guerra cultural. Outros, porém, especialmente aqueles que não possuem nada perto da separação constitucional entre igreja e Estado, acham intrigante que haja qualquer controvérsia.

Na maioria dos países muçulmanos, o Estado não apenas determina onde as mesquitas são construídas, mas o que os clérigos podem dizer dentro delas.

A única constante expressa, independentemente da geografia, é que mesmo que muitos nos Estados Unidos vejam o futuro do centro comunitário como um referendo crucial sobre as questões fundamentais de religião, tolerância e liberdade de expressão, aqueles que estão fora de suas fronteiras veem o debate como uma confirmação dos seus sentimentos pré-existentes sobre o país, sejam eles bons ou ruins.

Líderes do Irã, Afeganistão e até mesmo rivais ocasionalmente difíceis, como a China e a Rússia, têm-se abstido de fazer parte do debate sobre o Park51. A mídia estatal chinesa usou a história para elaborar reflexões sobre a necessidade de um Estado secular forte o suficiente para policiar o extremismo , uma questão que se aproxima de sua própria ideologia.

Por outro lado, diplomatas americanos estão vendendo a controvérsia como uma prova de que os Estados Unidos são um bastião de debate livre e tolerância religiosa.

Mas "a imagem harmoniosa do país de cultura mista, da capacidade de integrar todas as etnias de imigrantes está cambaleando perigosamente", escreveu Federico Rampini no jornal italiano La Repubblica.

Insurgência

Na Tailândia, que lidou com a sua própria insurgência islâmica, um editorial na revista The Nation se disse preocupado que a forma como os Estados Unidos lidam com o problema do centro comunitário afetaria as relações entre muçulmanos e não muçulmanos.

Muito mais comum, entretanto, foi o dar de ombros de clérigos e observadores acostumados a debates muito mais desagradáveis. Enquanto os extremistas apresentam a controvérsia como prova de hostilidade americana para com o islã, alguns líderes religiosos tomaram uma postura completamente diferente, argumentando contra a colocação do centro comunitário perto do marco zero.

O imã Abdul Rauf Feisal, líder do projeto, tem falado sobre a sua Cordoba Initiative em uma excursão de duas semanas pelo Golfo Pérsico, patrocinado pelo Departamento de Estado, embora tenha cautelosamente evitado discutir a localização do Park51.

"O que está acontecendo na América é muito saudável", disse Muhammad Al-Zekri, antropólogo do Bahrein, depois de passar uma noite com o imã. Os Estados Unidos, disse ele, ainda estão assimilando influências históricas, incluindo o Islã, na sua auto-imagem imprecisa como uma nação exclusivamente judaico-cristã. A construção do Park51, Zekri acredita, ajudará a moldar isso.

"Nós rezamos pelo povo de Nova York, pela paz", disse solenemente Zekri. "E se isso importa, pedimos desculpas pelo que as pessoas fizeram no 11 de Setembro".

*Por Thanassis Cambanis

    Leia tudo sobre: al-qaeda11 de setembroeuaobamamesquitanova york

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG