Mulheres versadas em auto-ajuda formam nova geração de gurus

NOVA YORK - O sonho era diferente. Quatro anos atrás, meio-dia seria o momento em que Gabrielle Bernstein sairia para almoçar no Soho House com um possível cliente da agência de relações públicas da qual ela era sócia. De noite, ela beberia tequila Patron no Cielo, no Coral Room ou em algum outro bar do centro que representava.

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Sera Beak acende vela em altar do seu quarto em São Francisco

Sua ocupação mudou. Bernstein, 29, estava sentada sobre uma manta de meditação em um estúdio de ioga na Rua Oeste 13, relatando durante 45 minutos de contemplação silenciosa no meio-dia da última terça-feira.

Naquela noite no seu apartamento no bairro de Greenwich Village, ela ungiu suas mãos em óleo aromatizado e, usando uma mistura de frases retiradas de livros de auto-ajuda, exercícios de meditação e música inspiradora, conduziu sete jovens mulheres  sentadas sobre almofadas durante quase duas horas de treinamento espiritual.

"Se apegue à luz", ela disse às mulheres, todas nos seus 20 e 30 anos. "Faça alguma coisa todos os dias para impulsionar sua vida".

Pose-se dizer que Bernstein, que já não come carne vermelha nem bebe álcool, é uma treinadora para a vida, guia de meditação ou terapeuta espiritual. Mas os clientes que pagam US$180 por quatro sessões semanais a chamam de guru.

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Gabrielle Bernstein (centro) em uma sessão de meditação em seu apartamento

"Muitas seguem seus ensinamentos", disse Jennifer Fragleasso, 31, que se uniu ao grupo de Bernstein em janeiro. "Nós precisamos desta orientação e estamos procurando esta orientação".

Uma década atrás, jovens mulheres como Bernstein buscavam o estilo de vida de salto alto e bebidas coloridas em coberturas dos distritos mais badalados de Nova York. Mas agora há um novo papel para as Carrie Bradshaws da cidade - jovens mulheres que são vegetarianas, versadas em auto-ajuda e espiritualidade New Age, e que tem conseguido ganhar a vida pregando a ansiosas plateias principalmente femininas.

Bernstein é apenas uma de muitas destas figuras, que são influenciadas menos pelas obras de Candace Bushnell do que por aquelas de Marianne Williamson, a conferencista espiritual que escreveu "Um Curso em Milagres", e por outros livros populares de auto-ajuda como "O Segredo", "Comer, Orar, Amar" e até mesmo "Magra & Poderosa".

Uma das mais proeminente é Kris Carr, ex-atriz que um mês depois de aparecer em dois comerciais de cerveja durante o Super Bowl de 2003 descobriu ter câncer no fígado e pulmões. Ela passou por uma viagem de auto-transformação que descreve no documentário, "Crazy Sexy Cancer" (Câncer Sensual e Louco, em tradução livre), que foi ao ar pela emissora TLC em 2007, e levou ao lançamento de dois livros.

Seu website, Crazy Sexy Life, se tornou um ponto de encontro para mulheres que se identificam como líderes de uma nova geração de gurus. Entre as blogueiras do site está Rory Freedman, autora das dietas de "Magra & Poderosa", Bernstein e Mallika Chopra, filha de Deepak Chopra.

"Nós as encorajamos a comer direito, se exercitar, lidar com sua espiritualidade, ouvir a si mesmas e fazer tudo isto de forma ousada e sábia", disse Carr, 38.

As últimas semanas na vida de Carr demonstram sua nova estatura. Ela celebrou seu aniversário e aniversário de casamento em Novo México antes de ir para São Francisco para falar com editores da revista VegNews. Depois ela seguiu para Los Angeles para reuniões sobre um programa de televisão que está desenvolvendo. Ela terminou sua viagem em Boston onde fez um discurso programático em uma conferência da Associação de Assistentes de Médicos em Oncologia.

A nova onda de gurus recebeu alguns apelidos brincalhões como "Charlie's Angels do Bem-estar", "Vaqueiras Espirituais" e "Super-heroínas Espirituais". Esta claro que elas têm disseminado orientação em um momento no qual as mulheres urbanas como elas precisam disto.

Thomas Amelio, diretor gerente do Centro Aberto de Nova York, que oferece aulas de auto-transformação há 25 anos disse ter percebido muito mais mulheres de 20 e poucos anos participando de aulas de meditação, xamanismo e medicina ayurvédica do que antes.

Muitos começaram com a yoga e seguiram daí. "Elas buscam por algo que seja funcional e prático, que ajude a lidar com a vida de forma mais simples", ele disse.

Algumas profissionais mais antigas desconfiam das Vaqueiras Espirituais. Esther Hicks, que escreveu livros sobre a "lei da atração" disse que duvida daquelas que pregam filosofias mistas.

"Quando elas misturam o que nós ensinamos com outras coisas isso não funciona e as pessoas ficam confusas", disse Hicks.

Patrick Williams, fundador do Instituto Life Coach, que certifica treinadores para a vida, disse que treinadoras não certificadas provavelmente não farão nenhum mal, mas também não farão nenhum bem.


Por Allen Salkin


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