Mulheres permeiam carreira política de Gingrich

No terceiro casamento, pré-candidato republicano à presidência dos EUA conta com mulheres para apoiá-lo e dar conselhos políticos

The New York Times |

Quando Newt Gingrich era presidente da Câmara, parlamentares que visitavam seu gabinete no Capitólio sempre encontravam uma conselheira inesperada sentada no sofá: sua mulher, Marianne.

Assim como a mulher que veio antes dela e a que a substituiu depois, Marianne Gingrich foi conselheira política de seu marido - de tal maneira que ele chegou a chamá-la de "minha melhor amiga e conselheira mais próxima".

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Gingrich e a atual mulher, Callista, cumprimentam eleitores em Bedford, New Hampshire (10/02)

Quando era um jovem congressista, ele a levou a sessões particulares com David A. Stockman, diretor de orçamento de Ronald Reagan, e para um jantar com o ex-presidente Richard M. Nixon em Manhattan.

Ele pedia seu conselho durante reuniões fechadas, o que deixava alguns de seus assessores e colegas desconfortáveis diante do desconforto dela, que muitas vezes não tinha grandes contribuições a favor.

Quando Gingrich voou para Israel a bordo do Air Force One para o funeral de Yitzhak Rabin, Marianne o acompanhou.

Recentemente, ela virou notícia ao alegar que seu ex-marido pediu que tivessem um " casamento aberto " quando ele e Callista Bisek, agora sua terceira esposa, estavam tendo um caso.

Suas acusações têm impulsionado o interesse no histórico matrimonial de Gingrich - principalmente no padrão de substituir a atual mulher por outra mais jovem - justo agora que sua chance de conquistar a indicação republicana à presidência parece mais possível de ser concretizada.

Mais do que uma ex-mulher abandonada, Marianne Gingrich atua como uma janela para a psique complicada de um homem que, segundo aqueles que o conhecem, parece precisar sempre de uma mulher ao seu lado.

Amigos e colegas dizem que, apesar de seu ego inflado - "Grandiosidade nunca foi um problema para Newt Gingrich", disse um de seus rivais na disputa republicana, Rick Santorum, no debate de quinta-feira -, Gingrich sempre dependeu de suas esposas para ajudá-lo a projetar a visão que ele tem de si mesmo.

"Acho que Newt é muito dependente de ter sempre alguém o apoiando e, obviamente, escolheu suas mulheres para cumprir esse papel", afirmou Sue W. Kelly, uma ex-congressista republicana de Nova York. "Ele tem um conceito próprio sobre seu destino, mas não acho que seja muito seguro de si mesmo. Por isso, precisa de alguém para ajudá-lo a ter mais segurança.”

Aos 68 anos, Gingrich esteve casado por quase 50 anos, e cada uma de suas três esposas, a sua própria maneira, desempenhou um papel importante em ajudá-lo a fazer sua carreira política avançar.

"Para Newt, a vida política é tudo e cada uma de suas mulheres esteve integralmente envolvida nela", disse Chip Kahn, que gerenciou as duas campanhas de Gingrich ao Congresso que não deram certo, na década de 1970, e agora administra a Federação dos Hospitais Americanos, em Washington. "Elas eram assessoras. Eram pessoas que ele levava muito a sério."

Sua primeira esposa, Jackie Battley, foi sua professora de geometria no ensino médio e era sete anos mais velha do que ele quando se casaram, em 1962. Ele tinha acabado de entrar para a faculdade, com 19 anos de idade, e casou-se apesar das objeções da mãe e do padrasto. Nove meses depois, eles tiveram seu primeiro filho, e ela sustentava a família enquanto ele terminava seus estudos.

Gingrich ainda era casado com Jackie quando, em 1980, um congressista recém-eleito, viajou para Youngstown, Ohio. Em um evento republicano de arrecadação de fundos ele conheceu Marianne Ginther, uma bonita morena de 20 anos de idade. Eles se casaram no ano seguinte e Gingrich logo agregou sua nova esposa à sua equipe - em 1984 ele a listou como co-autora de um de seus livros.

Mas em meados da década de 1990, durante sua ascensão política, Gingrich se envolveu com Callista Bisek, membro da equipe do Comitê de Agricultura da Câmara e quase 23 anos mais jovem do que ele. Eles tiveram um caso em segredo durante seis anos e se casaram depois que Gingrich deixou a Câmara, em 1999.

Hoje, a terceira senhora Gingrich, com seus belos cabelos platinados e seus diamantes - um assunto de controvérsia já que o marido gastou centenas de milhares de dólares na loja Tiffany -, além de seus ternos chamativos, é uma presença constante na campanha eleitoral, muitas vezes apresentando Gingrich ao público e o observando com ar de adoração quando ele faz seu discurso. Ela também é sua sócia em sua produtora de livros e cinema.

Muitas pessoas que conhecem Gingrich enxergam paralelos em seu comportamento atual e aquele que ele mantinha com suas ex-mulheres. "Ele leva Callista a todos lugares que vai", disse um amigo de Gingrich, "exatamente como levava Marianne a todos os lugares."

Gingrich disse que tem sido "muito aberto sobre erros que cometeu" e sobre "a necessidade de pedir perdão a Deus." Ele se recusou a discutir em detalhes seus casamentos anteriores, deixando sua defesa nas mãos de suas duas filhas do primeiro casamento.

Alguns observadores, porém, enxergam táticas políticas na maneira com a qual ele pulou de um casamento para o outro.

"Gingrich é pragmático, um político ambicioso que negocia pessoas da mesma maneira que negocia ideias", disse Steven M. Gillon, um historiador da Universidade de Oklahoma que escreveu um livro sobre Gingrich. "Da mesma forma que se reinventa como político, ele também renova as pessoas que o apoiam em cada uma de suas fases. E acho que isso se aplica também às pessoas com quem ele é casado."

Gingrich deu início à carreira política em 1974, quando concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados e perdeu. Ele e sua primeira mulher tinham criado raízes em Carrollton, Geórgia, não muito longe da fronteira do Alabama, onde Gingrich ensinava história.

Eles frequentavam a igreja batista local - um ex-assessor disse que Jackie Gingrich foi grande influência para que isso acontecesse. Ex-assessores lembram dela como uma mulher respeitada e querida, que lidava muito bem com pessoas e ajudava de uma maneira que "não fazia com que a equipe da campanha de seu marido ficasse tensa", disse Frank Gregorsky, que trabalhava com Gingrich na época.

Durante anos a imagem de Gingrich foi marcada por histórias. Dizem que ele entregou os papéis de divórcio para sua primeira esposa enquanto ela estava no hospital recebendo tratamento contra o câncer. Sua filha, Jackie Gingrich Cushman, emitiu um comunicado no ano passado dizendo que isso não é verdade. Ela disse que sua mãe passou por uma cirurgia contra um tumor benigno e que seus pais já estavam em processo de divórcio - a pedido de sua mãe - quando ele levou as filhas para visitá-la no hospital. No entanto, recentemente a CNN obteve documentos do tribunal mostrando que foi Gingrich quem deu entrada no divórcio.

"Tal como acontece com muitos divórcios, foi difícil e doloroso para todos os que estavam envolvidos", escreveu a filha.

Em sua entrevista à emissora ABC, Marianne Gingrich afirmou que o marido anunciou que queria se divorciar em maio de 1999, alguns meses depois de ela ter sido diagnosticada com esclerose múltipla. Publicamente, Gingrich tinha dito que Marianne era sua conselheira política de mais confiança. Ele lhe deu menção de destaque em seu livro de 1998, "Lessons Learned the Hard Way", dedicado a ela - na época em que estava já estava tendo um caso com Bisek.

"O que fiz é o que sempre faço quando entro em crise para tomar uma decisão", escreveu Gingrich, descrevendo suas preocupações no final de 1980 à respeito de iniciar uma investigação de ética contra o presidente da Câmara, Jim Wright, um democrata do Texas. "Conversei sobre o assunto com Marianne."

Por Sheryl Gay Stolberg

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