Mulheres lutam por mais banheiros públicos na China

Cansadas de filas para usar o sanitário, chinesas organizam manifestações e provocam debate sobre problemas de saneamento

The New York Times |

De acordo com um estudo, as mulheres demoram duas vezes mais no banheiro do que os homens. Por mais que a política chinesa estabeleça a proporção de um para um em banheiros públicos, o fato é que as mulheres têm de esperar muito mais para usá-los.

Foi pensando nisso que a estudante de gerenciamento público Li Tingting, 22, da província de Shaxi, começou um projeto inusitado. Ao lado de outros ativistas, ela bloqueou um banheiro público masculino numa área movimentada da cidade de Ghanzhou, no sul da China.

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NYT
Mulheres entram em banheiro público em Pequim, na China (26/02)

O bloqueio durava três minutos e convidava mulheres a usar o banheiro masculino. Tudo voltava ao normal por dez minutos e, depois disso, o bloqueio continuava por mais três minutos.

A operação, chamada “Ocupe os Banheiros Masculinos“ durou uma hora e, de acordo com Li, despertou a atenção da população para o problema e não causou nenhuma grande ocorrência.

Mas o mesmo não pode ser dito sobre a operação em Pequim. Quando Li e outras ativistas tentaram ocupar o banheiro masculino da rodoviária de Deshengmen,  foram recebidas por dez oficiais e três carros de polícia. Frustradas, elas tentaram ocupar outro banheiro masculino, mas foram barradas por mais oficiais que, dessa vez, obrigaram Li e outra amiga a ficar em um restaurante por cinco horas,. Elas e outras cinco mulheres foram ameaçadas de prisão caso tentassem invadir outro banheiro público.

No entanto, nos jornais chineses a história foi publicada de outra forma, com os policiais aparecendo como autoridades em contato com as necessidades e desejos dos cidadãos, não como esquadrões prontos para deter estudantes inofensivas em busca de melhores banheiros. A história apresentada no jornal estatal China Daily mostra que tudo ocorreu sem qualquer desentendimento.

O tema não é novo. A Organização Mundial da Saúde estima que dezenas de milhões de pessoas não têm acesso a banheiros e têm de fazer suas necessidades básicas ao ar livre.

Um relatório de 2010 estima que 45% dos chineses não têm acesso a instalações que os protegem do contato com excrementos, contribuindo para o risco de doenças. Mas a questão sanitária melhorou drasticamente na China nos últimos 20 anos e continua a melhorar. Com a forte expansão do mercado imobiliário, os chineses compram cerca de 19 milhões de vasos sanitários por ano, quase o dobro do que é vendido nos Estados Unidos.

Em novembro, a China foi sede da 11ª Conferência e Exposição Mundial de Banheiros, da Organização Mundial do Banheiro. Lá foi dito que, do ponto de vista do turismo, a China vive uma revolução do sanitário.

Ainda assim, a proporção de banheiros públicos para homens e mulheres, de um para um, é inferior a de Taiwan (um para três) e Hong Kong (dois para três). O único lugar em que a China usa a mesma proporção que Hong Kong é em shopping centers.

Li considera a ideia de banheiros unissex como uma alternativa ao problema chinês. Ela afirma que continuará com sua campanha porque “acredita que o direito de ir ao banheiro é básico”.

Por Sharon LaFraniere

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