Mulheres iraquianas se sentem marginalizadas no poder

Apesar de cota de um quarto destinada a mulheres no Parlamento, iraquianas reclamam espaço em ministérios e outros órgãos

The New York Times |

As mulheres iraquianas esperavam que a eleição do ano passado trouxesse consigo um papel mais importante para elas no governo. Mas elas têm menos influência política hoje do que em qualquer outro momento desde a invasão dos Estados Unidos.

Nenhuma mulher participou das longas negociações para se chegar a um acordo sobre o novo governo. E, apesar de terem um quarto das cadeiras do Parlamento, apenas uma mulher dirige um ministério: de Assuntos da Mulher, um departamento em grande parte cerimonial, com um orçamento pequeno e poucos funcionários.

Há muito tempo as mulheres têm lutado por seus direitos no mundo árabe, mas a Constituição do Iraque exige que um quarto dos membros do Parlamento seja mulheres.

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Emman Galal, que representa a facção sadrista no Parlamento iraquiano
Se a cota avançou a causa das mulheres ou serviu apenas como uma vitrine ainda não está claro. seis anos depois de o Iraque ter ratificado a sua Constituição. Mas a incapacidade das mulheres iraquianas em aumentar sua influência no Parlamento ressaltou medos mais amplos de que as mulheres possam perder espaço em outras facetas da vida também.

As maiores barreiras para as mulheres no Parlamento são os líderes dos quatro blocos que apoiaram Nouri al-Maliki como primeiro-ministro. Cada um é composto por vários partidos políticos que têm líderes que negociaram cargos ministeriais como parte de seus acordos para aderir à coalizão governista.

"Há muitos partidos na coalizão e apenas alguns cargos ministeriais", disse Reidar Visser, pesquisador sênior do Instituto Norueguês de Assuntos Internacionais e autor de A Responsible End? The United States and the Iraqi Transition, 2005-2010 (Um Fim Responsável? Os Estados Unidos e a Transição Iraquiana, 2005-2010, em tradução livre).

Cotas

As mulheres também têm tido dificuldades no Parlamento porque poucas têm suas próprias bases eleitorais. Apenas cinco das 86 parlamentares do sexo feminino teriam votos suficientes para conquistar suas cadeiras sem a cota. As 81 restantes foram colocadas lá pelos líderes dos seus partidos por causa da Constituição.

"Muitas dessas mulheres foram escolhidas porque são parentes de membros dos partidos", disse Safia Taleb Al-Souhail, membro do Parlamento.

Várias mulheres, incluindo Al-Souhailwould, gostariam de estender a cota de 25% para a liderança dos ministérios, mas os analistas concordam que as chances disso acontecer são quase nulas.

Adelah Homod, uma parlamentar que usa véu na cabeça, disse que as mulheres no Parlamento não deveriam reclamar da falta de poder porque poucas delas têm a experiência necessária para fazer parte do governo. Al-Souhail rejeitou essa afirmação dizendo que ela e muitas outras mulheres desempenharam um papel significativo de lobby junto ao governo dos Estados Unidos durante sua ocupação do Iraque.

"Nós temos de começar em algum lugar como uma sociedade, e é uma pena que estejamos começando aqui", disse Al-Souhail. "Nós temos um longo caminho a percorrer”.

*Por Michael S. Schmidt e Yassir Ghazi

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