Muitos tentam se candidatar no Irã, mas poucos conseguem

TEERÃ ¿ Neste domingo, a um mês das eleições presidenciais do Irã, o ministro do Interior disse que um total de 475 pessoas se registrou como candidato. Esse número inclui 40 mulheres e os inscritos têm idade entre 19 e 86 anos. Mas uma visão geral do painel de mulás conservadores (pessoas versada em lei islâmica) e juristas é de que a maioria deles serão desqualificados, restando somente poucos.

The New York Times |

O número total de candidatos, anunciado ao final de um período de cinco dias de registro, foi menos da metade dos 1.404 que se registraram nas últimas eleições presidenciais, em junho de 2005. Desse total, o painel geral, conhecido como Conselho dos Guardiões, desqualificou todos os inscritos, menos seis.

O Conselho dos Guardiões, que classifica todos os candidatos de acordo com suas qualificações religiosas e políticas e conhecido por sua visão islâmica conservadora, deve anunciar a lista de candidatos examinada para as eleições de 12 de junho, em 22 de maio.

Há uma expectativa em comum de que o conselho desqualificará a maioria ou todos os inscritos que favorecem uma abertura política e social. Mas as escolhas do conselho ainda serão avaliadas, porque o candidato responsável, Mahmoud Ahmadinejad, um religioso conservador frequentemente culpado pelo crescente isolamento econômico do Irã, tem perdido muitos aliados influentes.

Os candidatos mais prováveis são três que já declararam suas intenções em enfrentar Ahmadinejad antes mesmo do período de registro de candidatura. Eles são Mir Hussein Moussavi, um político moderado e ex-primeiro-ministro; Mehdi Karroubi, outro político moderado e ex-porta-voz do parlamento; e Mohsen Rezai, ex-chefe da Guarda Revolucionária.

Críticas

O foco da campanha até agora tem sido a economia do Irã, mas o alvo dos candidatos é Ahmadinejad, a quem eles têm criticado severamente.

A crítica mais incomum foi feita na semana passada por Rezai, que se opôs no passado a aberturas políticas e sociais, assim como Ahmadinejad. Ele disse em uma coletiva de imprensa que se ele fosse reeleito iria arrastar o país abismo abaixo. Também chamou a política externa do presidente de provocativa e arriscada e depois, na mesma semana, o culpou pela perda de US$ 1 bilhão da receita de petróleo.

Karroubi criticou os comentários de Ahmadinejad quanto ao Holocausto. O presidente negou a existência do episódio repetidamente, mas devido a hostilidade em relação a Israel o assunto foi conversado particularmente, até que Karroubi o trouxe à tona. Ele disse que os relatos de Ahmadinejad prejudicaram o país e minaram a posição da nação no cenário global.

Moussavi, que pode ser o rival mais forte de Ahmadinejad, atacou verbalmente a Guidance Patrol (Patrulha do Governo), força policial que foi montada sob a administração do atual presidente, responsável pela agressão de mulheres acusadas de violarem o código de vestimenta islâmico.

Outros participantes

Políticos e ativistas também estão tirando vantagem da atmosfera mais tolerante antes das eleições. Grupos femininos fizeram uma coalizão e anunciaram, em uma coletiva de imprensa no mês passado, o desejo de que leis discriminatórias contra as mulheres sejam corrigidas ¿ uma exigência que já foi confrontada duramente pelas autoridades. Muitas mulheres ativistas foram presas no ano passado.

Anteriormente, Ahmadinejad tinha o apoio de clérigos influentes, mas pararam de demonstrá-lo publicamente em sua campanha de reeleição, colocando certa dúvida na possibilidade de um segundo mandato. O líder religioso supremo, Ayatollah Ali Khamenei, que já foi seu partidário mais proeminente, censurou-o em uma carta pública, na semana passada, após Ahmadinejad anunciar que estava fazendo uma aliança com o chefe da agência do Estado de peregrinações a Mecca.

Ahmadinejad ainda pode ser reeleito. Ele tem viajado para todos os lugares do mundo como presidente, dando dinheiro e prometendo auxílio. Muitos eleitores apontam para sua generosidade e desejo em facilitar a burocracia do governo quando as pessoas se referem a ele. Eu votarei nele por ter escrito uma carta que nos eximiu de pagar uma multa por uma construção ilegal quando era prefeito, disse Nader Abolgasemi, 33, servente civil, referindo-se a quando Ahmadinejad era prefeito de Teerã, antes de ser eleito presidente.

Seus partidários o retratam como um homem espartano e religioso, que quer servir seu país. Em um livro sobre sua vida, intitulado The Son of People (O filho do povo, em tradução livre), ele ainda cultiva um pequeno jardim em sua casa e sua filha recém casada mora em um pequeno apartamento alugado.

Por NAZILA FATHI

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