Mudanças em Mianmar impressionam até os céticos

Visita de Hillary Clinton mostra apoio dos Estados Unidos aos passos dados pelo país para se tornar uma democracia

The New York Times |

A onda de mudanças em Mianmar está atingindo até as calçadas quebradas e ruas esburacadas da capital, Yangon.

Caixas automáticos, que são comuns nas principais cidades do mundo, não existiam durante os anos de estagnação econômica e agora estão finalmente sendo instalados por diferentes bancos.

Vendedores ambulantes oferecem canecas, chaveiros e cartazes repletos de fotos de Aung San Suu Kyi, líder da oposição do país, cujo nome e imagem foram um tabu durante duas décadas de ditadura militar.

AP
Secretária de Estado Hillary Clinton e a líder da oposição birmanesa Aung San Suu Kyi conversam durante jantar em Yangun, Mianmar

Mudanças no governo - rápidas e inesperadas, embora ainda incompletas - estão conquistando até os céticos do país em relação a um apoio civil ao governo militar elegido em março.

"O que aconteceu nestes últimos meses é um milagre para nós", disse Daw Cho Cho Kyaw Nyein, um líder da oposição e ex-prisioneiro político cuja família sofreu anos de perseguição dos militares.

Em um voto significativo de confiança ao novo governo, depois de anos de ostracismo internacional, a secretária de Estado Hillary Rodham visitou Mianmar nesta semana e se reuniu tanto com o novo presidente quanto com Suu Kyi.

A visita de Clinton é a primeira de um secretário de Estado americano desde 1955. As mudanças em Mianmar têm proporcionado uma abertura para a melhoria das relações com os Estados Unidos num momento em que o governo Obama está cortejando nações do sudeste asiático enquanto a China reafirma a sua influência na região.

Devido ao ritmo de mudança acelerado dos últimos meses, analistas debateram por que os ex-militares que lideravam o governo até pouco tempo atrás estariam dispostos a ceder o poder quase absoluto para perseguir mudanças democráticas e abraçar oficiais dissidentes que perseguiram durante décadas.

O presidente Thein Sein foi membro da junta que repetidamente rechaçou a oposição antes de tornar-se presidente.

Mas nem todo mundo em Mianmar está tão entusiasmado com as mudanças no país, tampouco estão convencidos da sinceridade de seus líderes. No quarto dos fundos de sua mercearia em Yangon, Ko Ko Gyi, um ex- prisioneiro político, criticou o governo e seu contínuo controle sobre outros assuntos referentes à democracia.

Ko Ko Gyi foi solto no dia 12 de outubro como parte de uma anistia que o governo ofereceu como um símbolo de simpatia à oposição - e uma forma de reforçar a imagem de Mianmar no exterior. Mas centenas de presos políticos permanecem em presídios.

    Leia tudo sobre: mianmarsuu kyihillaryeua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG