Mudanças dão sinais de novos caminhos para a guerra do Afeganistão

WASHINGTON ¿ Até agora, sucessivos generais americanos no comando da guerra no Afeganistão argumentavam que suas responsabilidades acabavam na fronteira com o Paquistão.

The New York Times |

Mas a escolha de um general novo e de uma geração bem diferente, para tomar conta de um conflito que já dura há sete anos, deve significar que as antigas atitudes começaram a mudar.

O novo comandante tenente-general Stanley A. McChrystal é um especialista em conflitos de contra-insurgência que por anos viu a violência no Afeganistão e no Paquistão como um complicado problema. Entre seus últimos projetos, como chefe da Joint Special Operations Command (União do Comando de Operações Especiais, em tradução livre), foi coordenar melhor os esforços do Pentágono e a Agência Central de Inteligência (CIA) dos dois lados da fronteira.

Oficiais da administração advertiram que McChrystal receberia um mandato sem especificação, para liderar combates militares no Paquistão, o que há muito tempo tem sido confrontado pelo governo paquistanês. Ao mesmo tempo, ex-oficiais e também alguns atuais disseram que, comandando nesse cenário, McChrystal está idealmente adaptado para realizar a estratégia de reparação do Afeganistão e do Paquistão da Casa Branca, como um problema único e urgente.

Para ter sucesso, ele terá de lutar uma guerra dos dois lados da fronteira, disse Robert Richer, oficial aposentado da CIA que trabalhou com McChrystal quando era chefe das operações no Oriente Médio da agência e assistente de direção de operações clandestinas.

AP
Soldados americanos em combate contra forças do Taleban no Afeganistão

Oficiais e legisladores da administração de Obama disseram, na terça-feira, que a decisão feita pelo secretário da Defesa Robert M. Gates de colocar McChrystal no lugar do general David D. McKiernan, tradicional oficial de proteção, foi colocada em prática em parte por um desejo de elevar novas gerações de líderes do Exército com pensamentos mais atuais para as posições mais antigas de combate.

Isso é menos sobre o general McKiernan do que sobre uma nova estratégia de contra-insurgência e uma nova liderança para revigorar o Conselho de Serviços do Exército, disse o senador Jack Reed, democrata de Rhode Island no Comitê do Serviço do Exército, que viajou ao Afeganistão há duas semanas.

Como chefe da União de Comando de Operações Especiais, McChrystal foi um advogado chave, no último ano, em um plano recentemente aprovado pelo presidente George W. Bush, para usar comandos para combater santuários do Taleban, no Paquistão. Sob uma disposição colocada como parte de uma postura mais agressiva, um oficial sênior da CIA e de missões de comando militar em ambos os países.

Em contraste, um conselheiro do Pentágono disse que houve reclamações dizendo que McKiernan precisava ser mais agressivo em atrair líderes tribais e de vilas que começaram a desafiar o Taleban em áreas de insurgência, no Afeganistão. McKiernan argumentou que seria difícil comandar a nova estratégia do presidente Barack Obama para o país sem adicionar reforços americanos, que só agora estão chegando para assegurar a população contra ataques de militantes.

Dois oficiais disseram que McKiernan resistiu à criação de um novo comando de operação dentro do Afeganistão, que havia sido anunciado por Gates na segunda-feira. McChrystal não só apoiou o plano, como também fez pressão para que se criasse um novo grupo militar de oficiais americanos que se especializariam em Afeganistão e serviria em jornadas repetitivas no país.

Por SCHMITT and MARK MAZZETTI

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